Foi inaugurado quarta-feira em Toledo, Sudoeste do Estado, o primeiro Biossistema Integrado do Paraná, que permitirá o aproveitamento total dos dejetos suínos, transformando-os em novos produtos como o biogás, nutrientes para a piscicultura e adubo para plantações, eliminando quase que totalmente a contaminação ambiental.
O biodigestor foi instalado na Fazenda Britânia, propriedade de Irno Pretto. Segundo o engenheiro Alexandre Akira, gerente do projeto, este é o primeiro equipamento em funcionamento no País, e o custo médio para instalação do sistema é de aproximadamente R$ 25 mil, dependendo do tamanho da propriedade. ‘‘Os projetos podem ser adequados, de acordo com a necessidade de cada granja. Estamos trabalhando para a curto prazo reduzir estes custos, e tornar a tecnologia mais acessível para o produtor’’, diz Akira.
O biodigestor integrado foi desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), através do Programa Rede ZERI Paraná, viabilizado através de parcerias com a Fundação Banco do Brasil, a Sadia S/A, Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e a Prefeitura de Toledo. A tecnologia foi baseada em trabalhos já executados na China, Índia e Bangladesh. O investimento conjunto entre os parceiros foi de aproximadamente meio milhão de reais. Os produtores interessados na nova tecnologia podem procurar o Tecpar, em Curitiba.
Produtividade e ambienteOs suinocultores são, em sua maioria, pequenos empresários, que estão estabelecidos em áreas próximas a cursos d‘água. Usualmente, os dejetos dos animais são dirigidos para os rios sem nenhum tratamento, ocasionando sérios problemas de poluição dos recursos hídricos, e consequentemente a morte de peixes e outros animais, a transimissão de doenças e desconforto à população em razão do mau cheiro e da proliferação de insetos.
No Biossistema Integrado, os dejetos dos suínos são direcionados a um biodigestor onde são decompostos através de digestão anaeróbica, reduzindo em até 60% sua carga poluente. Segundo o engenhgeiro Akira o sistema pode ser facilmente operado pelo produtor.
Neste processo é obtido o biogás que pode substituir o gás de cozinha no aquecimento de aviários, além de outras utilidades. Com alto teor nutriente, os resíduos sólidos do biodigestor são transformados em fertilizante natural para plantas, e os resíduos líquidos vão para tanques de algas, servindo de alimento para a criação de peixes. ‘‘A vantagem deste sistema comparado com outras alternativas de tratamento de dejetos, é que neste caso o produtor agrega renda, ao mesmo tempo em que deixa de poluir o ambiente’’, comenta Akira.
No tanque de peixes pode-se também produzir plantas aquáticas, através da técnica de aquaponia. Neste estágio, a água que volta à natureza não contém qualquer resíduo poluente. Além disso, as áreas em redor dos tanques tornam-se naturalmante ricas em nutrientes, sendo ideal para o cultivo de hortas e pomares.
Pólo produtorSegundo maior rebanho nacional, com um total estimado em mais de 4 milhões de cabeças, e terceira maior produção, a suinocultura paranaense vem gerando empregos e divisas para o Estado em todos os segmentos da sua cadeia produtiva, ocupando uma posição de destaque na economia nacional.
A região de Toledo representa o maior pólo produtor do Estado, seguida por Ponta Grossa e Cascavel. São nesses municípios que se encontra a maior concentração de criadores de suínos, onde estão instalados grandes frigoríficos. A produção paranaense é de mais de 200 mil toneladas de carne suína, o que equivale ao abate de mais de 2 milhões e 500 mil unidades.
O Biossistema Integrado já está sendo monitorado para uma avaliação quanto aos produtos resultantes, que são o biogás, biofertilizantes e os nutrientes para peixes e plantas, obtendo-se uma correta visão do aspecto econômico e financeiro.‘‘A perspectiva é de que em breve, uma grande parte dos 30 mil suinocultores da região possa estar apta a implementar biossistemas integrados em suas propriedades’’, comentou Akira.

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