Biodiversidade garante bons resultados no milho
Com o advento da tecnologia Bt, o uso do controle biológico como tática de manejo das lagartas do milho em grandes áreas ficou de lado, afirma Rodolfo Bianco, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Contudo, o especialista explica que, além de realizar a soltura de inimigos naturais, o produtor pode manter os que já estão presentes naquela área, que também ajudarão a deixar o ambiente equilibrado.
A aplicação de defensivos seletivos e a rotação de culturas são duas atividades que ajudam a manter o equilíbrio biológico de uma área. Bianco afirma que quando o produtor passa a usar produtos químicos seletivos, ele preserva espécies que parasitam ovos e lagartas menores, a exemplo das joaninhas e das tesourinhas. "A pesquisa em milho do Iapar tem dado mais ênfase à manutenção dos inimigos naturais e menos à liberação", explica o pesquisador.
Bianco conta que o uso do Trichogramma como agente biológico contra a Helicoverpa zea, por exemplo, poderá ser mais eficiente, sendo que para as Spodopteras o controle passa a ser bem mais difícil, porque os ovos são colocados em massas, uma sobreposta a outra. Devido a essas dificuldades, a manutenção dos inimigos naturais já contidos no ecossistema é a prioridade no Manejo Integrado de Pragas (MIP) para a cultura do milho.
Em experimentos realizados no Norte do Estado, Bianco conta que mesmo com três liberações de Trichogramma, na fase inicial do milho, foi necessária a intervenção de defensivos químicos porque na região não havia inimigos naturais o suficiente para combater às lagartas. "São situações em que muitos não entendem a dinâmica da praga e dos inimigos naturais. Por isso é que se torna mais fácil acreditar na recomendação do veneno para resolver com mais rapidez o problema", lamenta.
O pesquisador do Iapar afirma que o uso adequado dos defensivos, particularmente os mais seletivos, preserva a população de inimigos naturais. Ele completa que esse sistema de controle de pragas torna-se mais barato do que o uso preventivo de agroquímicos. "Quando uma área possui um índice superior a 50% de plantas com presença de tesourinhas, por exemplo, as mariposas não conseguiriam infestar novamente a área", observa. Bianco completa que o inimigo natural é dependente da praga, por isso uma lavoura necessita ter um mínimo de infestação para garantir o equilíbrio biológico.
Manejo
Melhorar o equilíbrio biológico de uma lavoura pode ser uma meta perfeitamente atingível, se o produtor aumentar a diversidade de cultivos, principalmente quando há rotação de culturas. "Se temos uma diversidade florística, conseguimos aumentar a fauna benéfica", sublinha Bianco. O especialista indica que a inserção da canola, do girassol e outras plantas que produzem mais flores e nectários, quando introduzidas na propriedade, por exemplo, aumenta muito a biodiversidade da área.
Bianco recomenda que pelo menos tenha na propriedade de 2% e 3% da área destinada para reservas biológicas. Campos com flores ou a criação de corredores ecológicos de mata são métodos que ajudam a manter a biodiversidade. Ele explica que quando não se faz rotação de culturas e o plantio de um novo cultivo é muito próximo da colheita de outro, o ciclo das pragas não são interrompidos. Segundo Bianco, o manejo integrado de pragas não acontece a contento nas propriedades em parte porque muitos defensivos agrícolas são de baixo custo, particularmente aqueles pouco ou nada seletivos, facilitando a opção pelo seu uso. "Esses produtos deveriam ser mais caros, para serem utilizados com maior parcimônia", completa o especialista. (R.M.)





