Biodiesel: futuro depende de ações imediatas
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sexta-feira, 29 de junho de 2007
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
A discussão sobre a utilização do biodiesel tem frequentado círculos variados no mundo atualmente. Pesquisadores, industriais, agricultores e potenciais consumidores debatem o tema, manifestam a opinião e dedicam um tempo precioso do trabalho em busca da eficiência desta alternativa de energia. Tido como uma opção de cultivo para geração de trabalho e renda, o biodiesel também desperta o interesse diante da ameaça do aquecimento global.
A alternativa de energia vai além das questões agronômicas, de potencialidades e das perspectivas de mercado. A falta de uma política agrícola que encampe toda a cadeia produtiva do biodiesel é motivo de preocupação para Cristiane Conti Medina, doutora em agricultura com especialização em agroenergia, professora da disciplina de energia renovável da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
''No Brasil, toda política agrícola é de curto prazo'', diz Cristiane, citando o exemplo do Proálcool, que incentivou o plantio da cana, mas acabou sendo descartado pelos governos subsequentes. ''O incentivo do governo gerou uma grande expectativa, mas o IAA (Instituto do Açúcar e Álcool) foi extinto pelo ex-presidente Fernando Collor e em seguida o ex-presidente Itamar Franco lançou o 'carro mil' a gasolina, frustrando aqueles que aderiram ao programa'', descreve.
Cristiane afirma que se o programa do biodiesel for implantado adequadamente pode ser uma alternativa importante para a solução de problemas sociais no campo, com geração de trabalho e renda. O cultivo de oleaginosas para atender ao programa vai demandar mão-de-obra familiar. ''O filho do agricultor não precisará ir para a cidade procurar emprego'', ressalta.
Segundo a professora, para atender esse objetivo a produção das oleaginosas deve estar organizada em torno de cooperativas ou associações de pequenos produtores. Do contrário, o agricultor pode servir apenas aos interesses das empresas multinacionais e transnacionais, como ocorre em muitos casos. Outro fator que permitiria a viabilização do programa é a agregação de valor ao produto. ''Os agricultores poderiam se associar e comprar uma prensa para beneficiar a produção'', sugere.
Para ter êxito, o programa de biodiesel não pode prescindir de uma política que encampe o desenvolvimento de técnicas de cultivo, beneficiamento dos produtos. Além disso requer produtores capacitados, assistência técnica qualificada, insumos para o plantio, infra-estrutura de transporte, armazenamento e garantia de preço.
Cristiane Medina chama a atenção para os inúmeros problemas que o país enfrenta para viabilizar a produção. Segundo ela, a política para o biodiesel deve prever ações além da propriedade. É preciso avaliar questões como capacidade de armazenamento, custos de transporte e portos. ''Quanto se gastaria com pedágios, taxas de embarque nos portos?'', questiona. Ela lembra que a malha viária no Brasil hoje não é adequada para a circulação de mercadorias.


