Máquina bem regulada, aplicação de defensivos em horários mais frescos e com menos vento, pulverizador com baixa pressão e o uso de bicos adequados. Essas são as principais medidas para uma eficiente aplicação de defensivos na lavoura e, consequentemente, redução no custo da aplicação, no impacto ambiental e na contaminação dos trabalhadores. A orientação é do engenheiro agrônomo Nelson Harger, da Emater Regional de Apucarana, implementador do Projeto Grãos, que trabalha na conscientização e formação de produtores e operadores de máquinas.
Harger destaca que muitos produtores investem alto em máquinas modernas e potentes e acabam se esquecendo que uma boa aplicação de defensivos depende muito mais do uso de bicos pulverizadores adequados. Ele orienta pela utilização de bicos com indução à ar e de leque simples. O custo da peça de boa qualidade varia entre R$ 15,00 e R$ 20,00. O investimento é quase nulo se comparado ao menor desperdício de agrotóxicos.
A eficiência da peça no direcionamento do jato de veneno, entretanto, depende da pressão utilizada no pulverizador. A medição dessa pressão é feita pelo manômetro, um relógio medidor que compõe o equipamento de pulverização. Mesmo fazendo parte da máquina, Harger afirma que os produtores não têm o hábito de utilizá-lo: ''ou está quebrado, ou não existe mais''. Ele explica que com baixa pressão a gota produzida pelo pulverizador é mais pesada, penetra melhor na planta além de diminuir as perdas por deriva.
Como qualquer equipamento, Harger destaca que o bico pulverizador possui uma vida útil e precisa ser trocado. ''Bicos desgastados não permitem uma boa distribuição da água'', alerta.
O técnico da Emater admite que o preparo dos operadores de máquinas é um assunto relativamente novo. Houve um avanço muito grande na eficiência dos produtos, que permites até a indicação de doses menores por hectare. A tecnologia de aplicação, entretanto, não acompanhou essa evolução. ''Falta capacitação ao agricultor. É preciso carteria de habilitação para aplicar veneno'', ilustra.
Foram os cálculos da eficiência na aplicação que levaram o produtor Adão de Pauli a investir em jogos de bicos pulverizadores para suas máquinas. ''O defensivo fica na planta''. A economia por safra, segundo ele, seria equivalente ao preço de vários conjuntos de bicos. Ele soma ainda a contribuição com o meio ambiente e a saúde de seus funcionários.
O chefe do escritório da Emater de Londrina, Paulo Mrtvi, destaca que o órgão está investindo na capacitação dos produtores. Diversos cursos estão sendo realizados junto as comunidades rurais. O projeto tem parceria com a empresa Agro 100 e a multinacional Dow Agrosciences.

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