Bichos, uma pecuária diferente
A prefeitura de Guarapuava está incentivando os produtores rurais do município a investir num projeto inédito no Estado: a criação de animais silvestres, aliando exploração comercial a preservação florestal. Com 60 produtores inscritos, o município pretende tornar-se, em dois anos, o maior fornecedor de carne de animais silvestres da região Sul do País.
No final de novembro, prefeitos e técnicos de municípios do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina visitaram criatórios do Parque Municipal das Araucárias e receberam detalhes sobre o programa. Os criatórios municipais foram instalados no ano passado, através de um termo de cooperação técnica entre a prefeitura e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Segundo o coordenador técnico da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Desenvolvimento Florestal e Turismo, Jairo Macedo, a cooperação técnica eliminou a burocracia que o produtor enfrentava para iniciar a atividade. Enquanto em alguns municípios levam-se até três anos para regularizar o criatório, em Guarapuava basta o proprietário se inscrever no programa, salienta.
FrigoríficoO município iniciou as atividades com criação de catetos (Tayassu tajacu) e queixadas (Tayassu pecari), por serem animais ainda existentes em abundância na região. A prefeitura fornece lotes com quatro fêmeas e um macho ao produtor, que se compromete a devolver, em dois anos, o mesmo número de animais ao município. Também estão sendo reproduzidos capivaras, pacas e veados.
Na criação são utilizados os sistemas intensivo e semi-intensivo, mas o objetivo é chegar ao sistema extensivo - os animais soltos nas matas -, o que proporcionará a criação de parques de caça em Guarapuava. Exigindo poucos investimentos, a criação de animais silvestres dá mais lucro que a criação de porcos, por exemplo. Um quilo de carne de animal silvestre pode valer até seis vezes mais que a carne do porco. Porém, o animal silvestre é mais agressivo do que o doméstico.
Para acabar com a figura do atravessador, a prefeitura estuda a instalação de um frigorífico específico para o abate dos animais silvestres. Os produtores interessados em criar em regime semi-intensivo devem investir, inicialmente, cerca de R$2.000,00 por criatório. Tudo depende das condições de cada propriedade, ressalta Jairo Macedo.
Uma vantagem encontrada pelo município no projeto, é que o produtor que receber os lotes com quatro fêmeas e um macho, tem a obrigação de recuperar as matas ciliares e plantar espécies florestais nativas nas áreas destinadas à criação. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente fornece, nestes casos, mudas de gabiroba, pitanga, araçá e de outras plantas. A alimentação dos animais silvestres deve ser feita à base de mandioca, milho, batata-doce, cana-de-açúcar e napier, que devem ser cultivados na propriedade, para reduzir os custos de produção.RendaBando de queixadas criadas em cativeiro, em Guarapuava. Município deverá ter frigorífico de animais silvestresAlexandre Sanches





