Quase 30 anos depois, o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), entrega ao País, o fruto de uma pesquisa iniciada em 1980 com objetivo de dar a pecuária nacional, um sintético que atendesse a eterna necessidade de produzir carne, em menor espaço de tempo e a um custo acessível. O Purunã chega ao mercado, cotado para ser assim. A nova raça, já em processo de registro junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); é composta por outras quatro: Abeerdeen Angus, Canchim, Caracu e Charolês, sendo indicado para o abate animais puros ou cruzados, tendo-o como base materna. O pesquisador de melhoramento genético Daniel Perotto, no projeto desde o começo, destaca que os exemplares usados neste empreendimento foram escolhidos por meio de Desempenho Esperado na Progênie (deps) aprovadas.
Na fazenda modelo do Iapar, em Ponta Grossa, o rebanho puro de origem (PO) conta com cerca de 200 produtos, mas até hoje - entre mestiços e puros, nasceram mais de 5 mil animais. ''O Purunã é um sangue que alia as características mais interessantes economicamente de cada braço formador'', afirma Perotto ao listá-las. O Angus e o Charolês agregam desenvolvimento muscular, precocidade e alto grau de acabamento; a presença do zebu (no sangue Canchim) e o Caracu atenuam a adaptabilidade e a tolerância à ectoparasitas; Angus e Caracu acentuam a habilidade maternal. ''A matemática deste gado resulta em uma equação de sucesso porque dá ao criador uma alternativa para contornar as dificuldades em usar o cruzamento. É um sintético chancelado por anos de pesquisa, que deve ser manejado como raça pura sem medo de errar'', diz.
O ''erro'' referido são os cruzamentos indiscriminados do passado que desacreditaram o método. O pesquisador ressalta que é difícil este processo, e o Purunã facilita a vida de quem quer um choque de sangue no plantel. ''Para cruzar bem é preciso fazer acasalamentos com rígido controle, conhecer profundamente as raças, certificar-se que elas se completam biologicamente (como cruzar um touro pesado em fêmea de pequeno porte) e um grau de acabamento satisfatório. Já fizemos este trabalho e chegamos a um gado de porte médio, que responde bem a monta natural, aguenta o pastejo extensivo e tem carne de qualidade. Totalmente competitivo na média das raças mães'', avalia.
O cruzamento resultou na seguinte genética: 40% Charolês / Canchim (5/8 Charolês e 3/8 zebu), 25% Caracu, 10% zebu e 25% Angus. A indicação é o cruzamento do touro Purunã X Nelore ou touro Purunã X europeu de médio porte para que em três gerações seja possível ter um novo animal puro. Para quem deseja ser criador, deve ter dois touros ou um estoque de banco de sêmen para evitar consanguinidade. A dose sai por R$ 5. Para comprar animais da fazenda modelo, o criador pagará preço da arroba no mercado, com acréscimo de 20%.
O Iapar destaca as regiões Centro-Sul e Sudoeste do Estado como consideráveis promotoras porque são localidades de crescimento da atividade pecuária. Segundo dados comparativos da entidade, as regiões criatórias tradicionais Norte Central e Noroeste detinham juntas em 1996, 43% do efetivo do rebanho bovino paranaense. Dez anos mais tarde, a fatia caiu para 36%. Já o Centro-Sul saltou de 8% para 12% e o Sudoeste de 7% para 10%, no mesmo período.

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