Bicho-da-seda é fonte de renda para mais de 2 mil famílias no PR

Estado é responsável por 85% da produção nacional de casulos; Londrina abriga única fiação de seda do Ocidente

Lucas Catanho - Especial para a FOLHA
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA

O bicho-da-seda movimenta a economia no Paraná. Na safra mais recente, mais de 2.350 famílias sericicultoras seguem desenvolvendo a atividade até o final de junho, totalizando mais de 10 mil pessoas envolvidas no Estado e uma receita gerada de R$ 45 milhões aos pequenos produtores rurais. 


As famílias paranaenses são responsáveis por 85% da produção nacional de casulos, predominando sobre São Paulo (11% de participação) e o Mato Grosso do Sul (4%). Ao todo, 2.700 famílias seguem envolvidas na atividade no Brasil, em 221 municípios. 


 

Bicho-da-seda é fonte de renda para mais de 2 mil famílias no PR
Bruno Ferraro/ Divulgação
 




A Bratac é hoje a única fiação de seda em escala industrial do Ocidente, reconhecida internacionalmente pela qualidade do produto. Possui duas fábricas, uma em Londrina e outra em Bastos (SP). Usa como única matéria-prima os casulos do bicho-da-seda, lagartas que são alimentadas exclusivamente com folhas de amoreira. A criação do bicho-da-seda acontece em propriedades rurais familiares, sempre em parceria com a Bratac (leia mais abaixo).


 

Bicho-da-seda é fonte de renda para mais de 2 mil famílias no PR
Bruno Ferraro/Divulgação
 




Atualmente, o preço de referência do casulo teor de seda 15% é de R$ 18,30 por quilo.

No entanto, os produtores rurais estão focados em produzir com qualidade e chegam a receber até R$ 22,63 por quilo de casulo.


Segundo a Abraseda (Associação Brasileira da Seda), a parceria dos sericicultores com a Fiação de Seda Bratac é saudável no Paraná, na medida em que, quanto melhor a qualidade do casulo de seda, maior o preço pago pela indústria ao produtor rural. 


“A compra é certa e o preço, garantido e previamente divulgado. Cada sericicultor tem ciência das regras de classificação da produção e participa pessoalmente da precificação na venda do produto. Nada se perde, e todo resíduo de seda gerado dentro do barracão de criação do bicho-da-seda é vendido para a indústria. O desperdício de massa verde é reaproveitado na adubação do solo dentro da mesma propriedade”, explica Renata Amaro, presidente da Abraseda.

 

Criação do bicho-da-seda acontece em propriedades rurais familiares, em parceria com a Bratac
Criação do bicho-da-seda acontece em propriedades rurais familiares, em parceria com a Bratac | Bruno Ferraro/ Divulgação
 




Sobre os desafios da atividade, Renata destaca que a sericicultura finalmente passou a ser atrativa no campo, inclusive como oportunidade para jovens. No entanto, ainda falta investimento em tecnologia nas propriedades rurais familiares. 


“Para maior competitividade dessa atividade, é imprescindível a renovação de área do amoreiral, mecanização e viabilidade de irrigação. Infelizmente, o maior desafio nesta safra foi a deriva de agrotóxicos [porção do agrotóxico que não atinge o alvo desejado] decorrente da aplicação irregular de defensivos agrícolas.” 

 

Famílias paranaenses são responsáveis por 85% da produção nacional de casulos
Famílias paranaenses são responsáveis por 85% da produção nacional de casulos | Bruno Ferraro/ Divulgação
 



Ao todo, foram mais de 800 produtores afetados, principalmente no Norte Pioneiro e no Noroeste do Paraná, sendo que pelo menos 200 sericicultores abandonaram a atividade por terem perdido toda a produção.


 

Bicho-da-seda é fonte de renda para mais de 2 mil famílias no PR
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Nacional

Na última safra, a produção de casulos de bicho-da-seda para a indústria de fiação brasileira gerou mais de R$ 53 milhões de receita para os pequenos produtores rurais em todo o Brasil. “A inovação em tecnologia e a demanda do mercado podem melhorar essa perspectiva para a próxima safra”, afirmou a presidente da Abraseda.


 

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A expectativa é de crescimento para o setor. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação do Ministério da Economia, em 2021 já são mais de 18 novos microempreendedores gerando riqueza a partir do uso da seda como principal matéria-prima.


O Brasil é o sexto maior produtor de fios de seda do mundo, atrás de China, Índia, Uzbequistão, Tailândia e Vietnã, com uma produção anual de aproximadamente 400 toneladas, e exporta 97% desse total.


 

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Recuperação


O presidente da Bratac, Shigeru Tanigushi Junior, explica que a pandemia impactou negativamente o setor, mas a atividade já caminha para um cenário de recuperação. “O uso ou compra do produto final de seda é muito sensível ao turismo e aos eventos, o que praticamente não ocorreu em 2020. Com isso, o mercado de seda sofreu uma redução muito significativa”, declarou.


 

Linha de produção da Bratac, a única fiação de seda em escala industrial do Ocidente
Linha de produção da Bratac, a única fiação de seda em escala industrial do Ocidente | Bruno Ferraro/ Divulgação
 



No entanto, com os estoques globais reduzindo muito, no final de 2020 já foi sentida uma procura, ainda tímida, pelos fios de seda brasileiros. “Atualmente, nosso maior desafio é aumentar a produção o quanto antes para atender às necessidades de todos os nossos clientes, além de captar novos clientes.”


A Bratac produziu, em 2020, 281 toneladas de fio de seda, volume quase 40% menor que no ano anterior. A previsão, no entanto, é fechar este ano com a produção de 373 toneladas, volume quase 33% maior que no ano passado, quando foi deflagrada a pandemia. No ano passado, o faturamento atingiu R$ 112,7 milhões.


Do total das vendas, 97% tiveram como destino o mercado externo e apenas 3% para o mercado interno. “Em 2021, temos expectativa de crescimento da participação no mercado interno”, diz o presidente da Bratac. 


A fiação exporta hoje para seis países, sendo Vietnã, Japão e França os três maiores compradores do fio de seda. No mercado interno, os três Estados que consomem o fio de seda brasileiro são Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.


 

Shigeru Tanigushi Junior, presidente da Bratac, diz que a fiação exporta hoje para 6 países
Shigeru Tanigushi Junior, presidente da Bratac, diz que a fiação exporta hoje para 6 países | Bruno Ferraro/ Divulgação
 




Processo produtivo

Diferentemente do que ocorre em outros países produtores de fio de seda, a Bratac detém o controle de todo o seu processo produtivo, para assegurar a qualidade e a rastreabilidade de seus produtos.


Hoje, 100% da produção dos ovos do bicho-da-seda é feita pela Bratac. Após a eclosão, vêm as larvas, tratadas pela fiação nas duas primeiras idades (ao todo são 5 idades) e posteriormente são distribuídas aos sericicultores. Esses, por sua vez, criam o bicho-da-seda que formam os casulos, que então são vendidos para a Bratac, sendo a principal e mais valiosa matéria-prima para a fiação de seda.


“Mesmo em épocas que produzimos ou vendemos poucos fios, o compromisso da Bratac sempre foi de adquirir 100% da produção de casulo. Em 2020, mesmo com o alto estoque de casulos, continuamos comprando normalmente todos os casulos produzidos”, destaca Junior.


 

Renata Amaro, presidente da Abraseda, diz que a sericicultura finalmente passou a ser atrativa no campo
Renata Amaro, presidente da Abraseda, diz que a sericicultura finalmente passou a ser atrativa no campo | Bruno Ferraro/ Divulgação
 




Congresso


Com o objetivo de sensibilizar os produtores rurais quanto à importância da aplicação correta dos agrotóxicos e fortalecer o ecossistema da seda no Brasil, a Abraseda, em parceria com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná, realizará o 1º Congresso Internacional da Abraseda, juntamente com o 37º Encontro Estadual de Sericicultura do Paraná. 


 

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O evento terá exibição online no dia 22 de julho, com estimativa de público de 4.000 pessoas entre estilistas, empresários, profissionais técnicos, produtores rurais e pesquisadores nacionais e internacionais do segmento da seda. Mais informações: (43) 3377-6025, ou pelo WhatsApp (43) 99116-8911.

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