A sericicultura criação do bicho da seda é uma atividade desenvolvida na sua maioria por pequenos produtores rurais, gerando receita mensal durante oito meses no ano. Em Piraí do Sul (74 km ao norte de Ponta Grossa), a criação de bichos da seda teve seu projeto iniciado no mês de abril de 2004 e, em janeiro deste ano, 23 criadores receberam o primeiro lote de lagartas.
O programa é feito pela Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Piraí do Sul, em parceria com a Emater em cooperação com a empresa Kanebo Silk do Brasil. A empresa se compromete a dar assistência técnica e comprar a produção dos sericultores do município. O projeto está tão bem que a empresa já abriu um cadastro para escolher mais 30 produtores para atender. Além disso, a seda produzida nesta região é conhecida como extra, uma qualidade superior em relação as demais.
O Secretário Municipal de Agricultura, Marcus Tito de Luca, disse que a idéia é buscar programas de incentivo ao pequeno produtor, para que ele possa aumentar sua renda utilizando bem sua propriedade. Para ele, o ideal é diversificar as atividades desse produtor, mas com responsabilidade, porque não adianta ter várias atividades onde somente uma paga todas as outras.
Nilcéia da Silva, 27 anos, é proprietária de um terreno de cinco mil metros quadrados na Vila Rural, onde cria 20 mil lagartas em um pequeno barracão. Segundo ela, a renda da família antes se restringia aos ganhos que o marido retirava no corte de madeira. Agora, em sua área, Nilcéia pode ter uma renda de R$ 260 o que auxiliará na educação dos três filhos.
Hélio Kunitake, 38, outro produtor rural que possui uma área de quatro alqueires no Bairro da Lança, também participa do programa. Ele poderá ter uma renda que oscila entre R$ 1 mil a R$ 1,5 mil, a cada 28 dias, pois cria, em seu barracão, mais de cem mil lagartas. O técnico agrícola da Kanebo Silk do Brasil, Emerson Zanolli, explica que essa renda pode variar de acordo com o manejo que o sericicultor fizer. ''Aquele que cuidar melhor, ter mais zelo, terá uma produtividade melhor'', afirma.
Kunitake começou na sericicultura como forma de diversificar as atividades de sua propriedade. Para isso, fez pesquisa sobre investimentos para criar frangos, suínos, perus. Decidiu pelo bicho-da-seda porque a implantação tinha custo menor. ''Fiz um investimento aproximadamente de R$ 4 mil e espero recuperá-lo em até um ano e meio'', explica. Se o negócio prosperar, pretende aumentar em dois ou três alqueires a área destinada para o bicho-da-seda para o ano.
Os investimentos foram conseguidos através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A compra dos casulos é garantida, diz o técnico agrícola Emerson Zanolli. ''A Kanebo, além de garantir a compra da produção, fornece também assistência técnica ao produtor'', afirma.
O Brasil é o quarto maior produtor mundial e o principal comprador da seda brasileira é o Japão, para onde são exportados 73,2% do total produzido pelo País. Além dos japoneses se destacam ainda como importadores a Índia, Coréia do Sul, França, Estados Unidos, Turquia e Itália. O Paraná é o maior produtor nacional de casulos verdes (90%) e responsável por 53% da industrialização, com três grandes empresas de fiação Cocamar (Maringá), Kanebo Silk do Brasil (Cornélio Procópio) e Bratac (Londrina).

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