Bezerros têm cotações aquecidas
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sexta-feira, 12 de maio de 2000
Cláudia Barberato De Londrina 
Mesmo em plena safra o mercado de bezerros está aquecido. Tem criador comprando animais de reposição pelo equivalente a R$51,00 a arroba, ou mais, enquanto o boi gordo está sendo comercializado a R$36,50/37 a arroba, demonstrando uma estabilidade que não seria normal para o período.
Teoricamente, segundo o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Adélio Borges, era de se esperar um diferencial de preço maior entre safra e entressafra. Os preços na safra (fevereiro, março, abril) do gado de abate deveriam estar em patamares abaixo dos R$36,04, porém não foi o que aconteceu. Os preços estão acompanhando os valores praticados em novembro do ano passado, período de entressafra.
Normalmente a safra de bezerros desmamados ocorre a partir de março. Neste ano ela foi estendida para abril-maio em consequência da estiagem prolongada no segundo semestre do ano passado. Era de se esperar, portanto, que a oferta para reposição estivesse maior e também os preços dos bezerros mais baixos na safra, o que não está acontecendo.
Reposição difícilSegundo Adélio Borges, do Deral, empresas de consultoria pecuária de outros Estados, como Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Goiás, reclamam que a reposição está cara e difícil em relação aos anos anteriores. A principal sustentação dos preços nesta safra é a redução de oferta.
De acordo com Borges, a queda da rentabilidade da pecuária de corte registrada entre 1995 e 1998, com abate indiscriminado de matrizes, está refletindo agora na oferta tanto de bois prontos quanto de gado de reposição. Apenas em 1999 os índices de abate de fêmeas foram menores. Em alguns locais os preços do bezerro nelore desmamado há um ano mantêm-se firmes entre R$52 e R$55 a arroba. Borges acredita que a perspectiva de queda dos preços pecuários é remota e, se ocorrer, não terá sustentação.
Preços altosDurante a semana, no Paraná, o bezerro nelore desmamado há um ano estava cotado entre R$300 e R$320 em Umuarama; R$330 em Paranavaí e R$325 em Cornélio Procópio. No caso dos animais de cruzamento industrial, na região de Cornélio Procópio, por exemplo, o preço chegava até a R$375, por causa da demanda de animais por São Paulo.
Nos leilões o preço dos bezerros tem sido ainda maior, já que os animais são selecionados e preparados para a venda. Um exemplo foi a 26ª Feira de Bezerros, no último sábado em Guarapuava, Centro-Sul do Paraná, promovida pelo Núcleo de Criadores de Bezerros de Guarapuava. A média geral do leilão ficou em R$365,42.
Segundo Elizabete Coppo, da Programa Leilões, de Londrina, empresa que realizou o remate, até o final de maio outros leilões estarão ofertando gado de corte e animais de reposição. Para o dia 30 está programado um leilão de gado de corte em Cambé, com oferta de 1.500 animais, incluindo matrizes. Para estes leilões as perspectivas também são de bons preços.
De acordo com a leiloeira, na 26ª Feira de Bezerros foram vendidos 1.490 animais, na média geral de R$365,42 e total de R$544.473,00. A média para machos ficou em R$386,53, o que dá quase R$51 a arroba, e para as fêmeas em R$286,98, o que representa perto de R$42 a arroba.
De acordo com o diretor do Núcleo de Criadores, João Arthur Barbosa de Lima, a média dos animais vendidos antes da feira de bezerros deste ano (2.500 cabeças) nas fazendas, ficou entre R$340 a R$350. Normalmente, nesta época, segundo Lima, o preço deveria ficar entre R$280 a R$290.
Animais selecionadosA Feira de Bezerros vende mais animais europeus (cruzamento do nelore com charolês), para criadores de São Paulo, Norte do Paraná, Goiás e Minas Gerais. O Núcleo de Criadores de Guarapuava, com 35 associados, tem uma produção anual de 4 mil bezerros. Ao longo do ano pecuário, os criadores preparam estação de monta e outros manejos para garantir uma grande oferta de animais. As vendas são realizadas duas vezes no ano. Agora em maio e em setembro, na primavera, quando o núcleo realiza outro leilão. A oferta é destinada à reposição de rebanhos, para engorda a pasto ou em confinamento.
Os animais, garante João Lima, são criados a pasto e selecionados para alto peso à desmama e ganho diário superior a 1 quilo. O comprador dos bezerros, avisa Lima, pode terminar os animais a pasto ou no confinamento para fazer o superprecoce. Usando pasto de azevém, aveia e trevo, temos resultados de ganhos superiores a 1,5 quilo/dia.
Ciclo de preçosO ciclo pecuário de preços foi profundamente afetado e um dos exemplos é o mercado atual de reposição, analisa Borges, do Deral. Segundo ele, é preciso considerar que a inversão do ciclo já deveria ter ocorrido a partir de 1999. Uma recomposição de preços do boi gordo, em relação ao gado de cria e de reposição, também deveria ocorrer, porém não é o que está acontecendo.
Considerando os preços médios de gado de reposição praticados em algumas regiões do Paraná hoje a relação é de 1 para 1,88 ou no máximo 1 para 2. Nestes patamares, de acordo com Borges, os recriadores e terminadores tendem a adiar a decisão de venda do boi gordo, trazendo como consequência a redução de oferta para os frigoríficos.
Recriadores e terminadores estão apostando que o Paraná ficará livre da febre aftosa com vacinação, ainda este mês. Apostando mais ainda na capacidade de negociação das indústrias da carne bovina do Estado, em alavancar signficativamente as exportações em 2001 e 2002, quando deverão ser abatidos os bezerros e garrotes adquiridos hoje, acrescenta.
Outras alternativasTem gente que prefere comprar o boi magro, a preço igual ao do boi gordo, do que bezerros. É o caso do invernista Olímpio Fernandes, de Loanda, no Noroeste do Paraná. O boi magro vai chegar mais cedo no frigorífico. O normal para um bezerro seria custar cerca de R$200. Fernandes compra os bois magros agora, para os colocar no mercado em outubro, na entressafra.
Segundo o negociador de animais Benedito Medeiros, de Paranavaí, o bezerro novo sempre foi mais caro. Ele acredita que o aquecimento do preço este ano se deve também ao fechamento da fronteira com o Mato Grosso do Sul, por causa do circuito pecuário. Não tem mercadoria sobrando e, por isso. o preço subiu e quem precisa comprar para fazer reposição, acaba pagando mais caro.


