Os irmãos Eduardo e Augusto Caldeirão, de Londrina, apostam mais uma vez, este ano, no confinamento de bovinos durante a estação da seca, sistema de produção que adotam desde 1989, para aumentar a rentabilidade da pecuária. Com o fechamento dos animais em idade de cria, as áreas de pastagens da fazenda ficam liberadas para outras categorias de animais, permitindo otimizar uso do pasto durante o inverno, o que também traz vantagens para a atividade.
A eliminação de uma fase da pecuária, com o confinamento, e a produção de animais em menor tempo, permitem ao pecuarista um desfrute de 42% no rebanho, índice que segundo Eduardo Caldeirão tem significado uma rentabilidade entre 25% a 30% anual na atividade.
Os bezerros desmamados aos sete meses de idade foram confinados no início de maio, com peso de sete arrobas, para a produção do novilho superprecoce. Os animais, da raça brangus, vão ficar no confinamento por cinco meses. O ganho de peso médio, segundo Eduardo Caldeirão, é de 8,5 arrobas durante o período em que estarão fechados, saindo com 15,5 arrobas.
Ao final do período, os irmãos esperam somar um lucro de R$ 108,00 por animal. Com o confinamento é possível terminar animais na metade do tempo do que no sistema convencional, afirma o pecuarista. O produto pode ser vendido num momento de oferta reduzida (entressafra), muita demanda e preços melhores. Mas a vantagem, destaca Eduardo, não está só no fato de ganhar a mais no quilo da carne, no preço da arroba, ou por animal, mas na produtividade e no aumento de desfrute do rebanho.
''Hoje não é mais possível colocar preço na mercadoria e só a produtividade pode viabilizar qualquer negócio,'' garante Eduardo. Segundo ele, parte do ''sucesso conseguido no confinamento está no uso da cana como fonte de alimento para os animais. É um produto que tem baixo custo de produção e alta produtividade.''
A dieta no confinamento é feita com cana hidrolizada e concentrado composto de resíduos de milho e soja. O volumoso custa R$ 0,37 por cabeça/dia e o concentrado R$ 1,20 cabeça/dia, totalizando R$ 1,57 animal/dia. Eduardo faz questão de ressalta que nestes custos estão incluídas despesas com funcionários e maquinários. ''Como os animais têm um rendimento de 54%, em média, na carcaça, o quilo da carne produzida sai por R$ 2,88. O ganho por quilo fica em R$ 0,72. Em cinco meses o ganho por animal é de R$ 108,00.''
A cana fornecida aos animais passa por um tratamento de hidrólise feito a base de cal virgem para melhorar sua digestibilidade. Aliado a isso está o trabalho de manejo e cuidados com a sanidade e alimentação do gado. Trabalhar com produtos nobres para a alimentação do gado como milho, farelo de soja e até farelo de trigo significa, segundo o pecuarista, elevado custo de produção.
Como tirou animais de recria do pasto, o pecuarista tem sobra de área para manter os animais de cria da fazenda. O pastoreio é feito em rotação, com piquetes e, devido a boa qualidade dos pastos que foram adubados, os animais não recebem suplementação especial, apenas sal mineral.
Nas áreas de melhor suporte a lotação é de 6 unidade/animal/ha e nas áreas de suporte mais baixo 4 unidade/animal/ha. A adubação foi adotada a quatro anos e é feita de acordo com a análise do solo. Na fazenda em Londrina fica o gado criado a pasto e o confinamento é realizado em outra propriedade, no Noroeste do Paraná.

mockup