'Berçário' rentável
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sábado, 02 de novembro de 2013
Victor Lopes<br> Reportagem Local 
O produtor paranaense de hortaliças está mudando a estratégia no momento de iniciar sua produção: ao invés de lidar com a desenvolvimento das próprias mudas, ele prefere comprá-las prontas, vislumbrando uma genética aprimorada e qualidade garantida. Dessa maneira, o olericultor diminui o ciclo de produção, necessita de menos mão de obra e - se adquirir as mudas de um viveiro qualificado - certamente vai ganhar em produtividade e agradar seus consumidores.
Essa opção dos produtores tem fomentado o mercado de mudas de maneira significativa no País. Atualmente, de acordo com a Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (Abcsem), são mais de mil viveiros distribuídos pelo País. O movimentação financeira anual desse mercado gira em torno de R$ 200 milhões, com crescimento acima da casa dos 20% nos últimos anos. Detalhe: ainda há muito o que ascender, segundo especialistas do setor.
O coordenador regional Norte de Olericultura do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Nilson Ladeia Carvalho, confirma essa opção dos olericultores. Ele salienta que, além da falta de mão de obra, a redução dos custos iniciais devido à dificuldade no controle de pragas e doenças direciona os produtores para a compra das mudas. "Vemos muito isso aqui na região com os produtores de tomate, pepino e pimentão, além das folhosas. Produzir as próprias mudas é como um berçário com diversos bebês, se você tirar os olhos, não der o alimento e não ficar atento às doenças, elas acabam morrendo e o produtor assumindo um grande prejuízo, já que ele investiu alto nas sementes".
Para adiantar o ciclo, inclusive, há produtores adquirindo mudas com até 30 cm de altura, e com garantia de produção. Outra tendência forte são as mudas enxertadas. Na técnica são utilizadas duas mudas de plantas: a raiz de uma e a parte aérea da outra são unidas. Com isso, é possível reproduzir uma raiz com muita resistência e uma planta com potencial produtivo. "Os viveiros maiores já estão se adaptando a essa tecnologia e os produtores pagam mais caro para adquirir esse tipo de muda. O que todos querem é a garantia de produção e qualidade, o que muitas vezes é mais complicado quando a muda é feita na propriedade".
Para aqueles produtores que querem entrar no negócio de mudas para comercialização, Ladeia faz um alerta: é preciso ter muita tecnologia, qualidade, rastreabilidade e garantir sanidade para ingressar nesse nicho de mercado. É necessário ainda se adequar à instrução normativa que regulamenta o setor por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). "Além disso, um responsável técnico precisa auxiliar o produtor. É como um pedreiro fazer a casa sem o engenheiro: ele sabe fazer, mas se der algum problema quem será responsabilizado? Vender mudas sem qualidade pode causar muitos transtornos ao comprador, que irá perder tempo e dinheiro", orienta o coordenador de olericultura do Emater.
Produção regulamentada
A Hidroceres, de Santa Cruz do Rio Pardo (SP), é considerada uma potência na produção de mudas no País atualmente (veja matéria na página 7). Segundo o empresário Oliveiro Basseto Júnior, não foi fácil ingressar nesse mercado trabalhando de forma regulamentada. "Existe uma Instrução Normativa que dita o setor e é bem difícil se enquadrar. Temos certificação pela ISO 9001 desde 2008 e costumo dizer que certificar o viveiro para o Mapa deu mais trabalho do que conquistar a ISO".
Para o empresário, o mercado de mudas de hortaliças ainda está extremante carente de viveiros que cumpram as normas do Mapa. "Há muito espaço para os viveiristas atuais evoluírem e trabalhar de forma mais organizada, sem colocar os produtores em risco".
Ele acredita que ainda há muitos agricultores fazendo as próprias mudas porque não encontram opção de viveiros confiáveis que possam fazer negócio. Com o objetivo de ampliar seu leque de consumidores, Júnior continua investindo da Hidroceres. "Estamos cada vez mais automatizando o serviço, com controladores de clima nos ambientes, munidos de gerador de energia. No total, hoje estamos com 78 colaboradores".
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