Beefmaster é uma das novidades
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de março de 1998
Cláudia Barberato 
Divulgação
PrecocidadeRaça tem sangue de brahman, shorthorn e hereford. Animais devem ser precoces em reprodução e ganho de peso
Produzir mais bezerros por vaca/ano e mais carne com menos dinheiro. Estes têm sido os objetivos de todo pecuarista que pretende obter lucratividade na criação de bovinos de corte. A lista de opção para os criadores na escolha das raças é enorme. Os técnicos afirmam que o segredo é saber combinar no cruzamento; ou na criação de puros ter os animais que melhor se adaptarem à realidade de manejo e comida que o criador tem a oferecer. Há também a questão de escolha pessoal.
Chega uma hora em que a escolha da raça é feita só com base em dados produtivos, garante o criador Alexandre Lopes Kireeff, de Londrina. Depois de testar várias raças para a produção de carne, Kireeff está apostando no beefmaster, um bovino para corte, com sangue indiano e europeu, que, segundo ele, hoje é o mais indicado para seu objetivo: produzir mais carne com menos dinheiro.
A raça, desenvolvida no Texas, EUA, será exposta, pela primeira vez no Brasil, durante a Exposição Agropecuária de Londrina, em abril. O filho do americano Tom Laseter, responsável pela seleção do beefmaster, Laurence Lasater, também estará em Londrina para falar sobre a raça.
Serão expostas 20 cabeças, das quais cinco da Agropecuária Terra Roxa, de Alexandre Kireef, e mais 15 animais do grupo Rodrigues da Cunha, de Andradina (SP). O grupo, segundo Kireeff, foi o pioneiro na criação do beefmaster no Brasil. A primeira importação foi realizada há três anos, com a compra de cinco vacas e dois touros. Os animais adquiridos por Kireef são a primeira geração destes animais importados, já nascidos no Brasil.
Rústico e precoceA raça foi desenvolvida, segundo Kireef, nas áreas mais áridas do Texas, com a finalidade de produzir mais carne com menos dinheiro, numa seleção pela funcionalidade dentro de padrões de produtividade. O que atraiu o criador para a raça foi o critério de seleção, diferente da maioria das raças de corte.
Na área de fertilidade, por exemplo,item dos mais importantes na produtividade de carne, tanto machos quanto fêmeas são colocados em idade reprodutiva mais cedo, entre 12 e 15 meses, ponto em que estão os animais de Kireeff atualmente.
Nas boas seleções para produção de corte este índice, segundo o criador, tem sido por volta dos 18 meses e, em criações de pecuária não especializada, a idade reprodutiva começa somente por volta dos dois anos de idade.
Kireeff garante que são animais precoces na produção de carne, comparados aos animais das principais raças de corte hoje criadas no Brasil. São rústicos, devido à seleção a que foram submetidos, com sangue do brahman (zebuíno), shorthorn (europeu) e hereford (europeu).
No manejo reprodutivo o beefmaster pode ser cruzado tanto com animais zebuínos quanto europeus, mantendo a heterose (choque de sangue). É mais uma opção de sequência de cruzamento industrial. Se colocar o zebu, o criador vai melhorar a habilidade materna e a precocidade, sem perder em rusticidade. No caso do europeu cruzado com o beefmaster, ganhará novo choque e manterá as caracterísicas de precocidade e fertilidade, já adquiridas no primeiro cruzamento, e obterá melhores índices de rusticidade.
Seleção antigaO criador da raça, o americano Tom Lasater, começou a fazer a seleção em 1931. Em 1954 a raça foi reconhecida pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Hoje, segundo o criador Alexandre Kireeff, é a segunda raça de corte mais utilizada nos Estados Unidos.
O beefmaster teve origem no cruzamento entre três raças (brahman, hereford e shorthorn). A exata proporção de sangue de cada uma é apenas estimada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, sendo ao redor de 25% de sangue shortorn, 25% de hereford e 50% de brahman. Na pelagem a predominância é da cor vermelha, mas não houve seleção para a coloração, o que faz com que apareçam animais com vários tipos de pelagens.
Experiências de cruzamento industrial estão sendo realizadas no Mato Grosso do Sul, com a inseminação de vacas nelore. Em janeiro de 99 deverão ser inseminados os primeiros meio-sangues. Para Kireeff, o beefmaster é uma boa opção para a sequência do cruzamento, pois a raça mantém a proporção zebu/europeu, sem perder na rusticidade.
Bons índicesOs animais puros, quando confinados após a desmama, chegam ao peso de abate (500 quilos) aos 12 meses. Para os mestiços a expectativa é de abate ao redor de 20 a 24 meses, cruzados com vaca nelore, além de fêmeas meio-sangue red angus e meio-sangue simental.
A seleção para a rusticidade permite, segundo o criador, vacas que criam muito bem seus bezerros com bom peso na desmama. As fêmeas são selecionadas para parir um bezerro por ano.
Kireef viaja hoje para os Estados Unidos, para comprar sêmen e embriões da raça, e pretende também adquirir animais vivos. A importação vai depender da viabilidade econômica.


