Bebida com sabor tradicional de Minas Gerais
Reminiscências da infância, cores, sabores e aromas de temporadas passadas na zona rural de Minas Gerais inspiraram o professor universitário Francisco de Assis Macedo, que há quase 30 anos vive em Maringá, a dividir o seu tempo com a fabricação de cachaça e a produção de derivados da cana-de-açúcar. Macedo usa como argumento para vender seu produto o fato de ser fabricado artesanalmente e de forma orgânica.
A produção do Sítio Gerais, no município de Mandaguari, é de três mil litros por ano, pequena se comparada a um sistema convencional de fabricação. Mas é justamente o pouco volume que garante a característica artesanal da bebida. A cana cultivada em dois hectares sem produtos químicos, é processada no engenho também de forma natural. A fermentação é feita com milho triturado e torrado, que é misturado com a garapa aquecida a 80 graus centígrados.
O tempo é o principal ingrediente para a fabricação da Mineirinho D'Ouro. A fermentação, feita em recipientes vedados, dura até três semanas. Finalizado o processo de destilação, a cachaça é armazenada em tonéis de cabriúva durante três anos para o envelhecimento. Somente após esse período é envasada.
Macedo, que é zootecnista, preza o sistema de produção orgânico. Até mesmo o transporte da cana da lavoura ao engenho é feito com tração animal. Segundo o produtor, a qualidade da cachaça também é resultado do sistema de fabricação. ''O alambique tem o mesmo modelo do que era utilizado por meus avós em Veredinha, município do vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais'', afirma. Macedo também teve o cuidado de trazer a Mandaguari trabalhadores que atuam em engenhos de Minas Gerais para ensinar a fazer a legítima cachaça mineira.
''A Mineirinho D'Ouro tem boa aceitação porque é produzida de forma diferenciada. O resfriamento, por exemplo, é feito por uma bica de água'', diz. Segundo Macedo, o processo de resfriamento da maioria das cachaças é feito por meio de serpentina, que altera o sabor da bebida. ''A bica de água permite que alguns gases permaneçam na bebida'', explica.
Macedo afirma que o mercado para cachaças especiais está se expandindo. ''Nos últimos cinco anos, a cachaça saiu dos botecos para restaurantes mais sofisticados'', opina. Tanto que vende o seu produto em garrafas com 500 ml por R$ 20,00 para clientes da região, empresas que oferecem a cachaça como brinde, para uma adega em Maringá e pequenos estabelecimentos. O produtor está adequando o alambique para obter o registro no Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa).
Macedo espera ampliar as atividades do sítio depois que se aposentar, com a produção de melado, açúcar mascavo e rapadura. Como diferencial ele vai fabricar o doce em pedaços de 30 gramas. ''Pretendo oferecer o 'kit cana' com esses produtos e a cachaça'', afirma. (R.C.)





