Diante do crescimento projetado para indústrias que utilizam madeira como matéria-prima nos próximos anos, a Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS) adverte que vai haver falta desse produto para abastecer o mercado nacional a médio e longo prazo.
O presidente da entidade, Nelson Barbosa Leite, salientou que um diagnóstico feito a pedido do Ministério do Meio Ambiente constatou que de 1967 a 1987, quando havia incentivo fiscal para o setor, houve expansão de quase cinco milhões de hectares de florestas de eucalipto e pinus no Brasil. Com o fim do benefício, cessou o crescimento de áreas plantadas. ‘‘Algumas florestas foram reformadas, mas a base florestal não aumentou’’, disse, lembrando que a produtividade cresceu em função de programas de melhoramento genético.
Em 2000, o Brasil produziu 36 milhões de metros quadrados de pinus e 90 milhões de m2 de eucalipto, totalizando 126 milhões. ‘‘Nos próximos 10 anos, se o País quiser manter os níveis atuais de atendimento do mercado interno e de exportação, esses números teriam que dobrar’’, avaliou.
ReflorestamentoO Programa Nacional de Florestas, lançado em 2000, previa a implantação de um programa de reflorestamento anual que planejava um aumento de 630 mil ha por ano a partir de 2001. ‘‘Essas áreas começariam a ser colhidas em 2007, diminuindo o déficit’’, explicou. No ano passado, porém, não foram plantados mais que 250 mil ha. ‘‘Se não houver aumento de área o Brasil deixará de se exportador para se tornar importador e as indústrias vão deixar de crescer por falta de madeira’’.
Dados da SBS referentes a 2001 indicam que a madeira contribui com US$ 21 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB), o que representa 4% do valor total. O consumo interno é de 300 milhões de metros cúbicos por ano, incluindo florestas nativas e plantadas para fins diversos. O consumo industrial perfaz 100 milhões de m3 anuais. As exportações totalizaram US$ 5,4 bilhões. A área plantada é 4,8 milhões de ha, sendo que o eucalipto ocupa 3 milhões de ha e o pinus, 1,8 milhão ha.
SoluçõesNa opinião do presidente da SBS, a primeira medida para solucionar o futuro déficit de madeira seria criar linhas de financiamentos com prazos compatíveis com a atividade. O eucalipto só começa a produzir depois de sete anos e o pinus, após dez anos.
Segundo ele, também é necessário desburocratizar a atividade florestal. ‘‘Precisa de licença para todo o processo, desde o plantio até o transporte’’, comentou. Ele defende que a legislação seja simplificada, ao mesmo tempo em que os mecanismos de fiscalização se tornem mais eficientes. ‘‘É preciso garantir que a madeira não venha de matas nativas, sem contudo dificultar o trabalho do produtor’’, observou.
Outra preocupação diz respeito aos pequenos produtores que, segundo ele, precisam de uma assistência técnica mais eficiente. ‘‘Tecnologias como as mudas clonadas, por exemplo, deveriam estar disponíveis para todos, permitindo aumentar a produtividade’’.

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