Barreira têxtil afeta a soja
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sábado, 22 de novembro de 2003
Reportagem Local 
O mercado de Bolsa sempre tem que encontrar um motivo para especular. No final da temporada prevalecem os números reais e a verdade dos ''preços mercadológicos''. Mas, no dia a dia, tem que haver um ''evento'' para movimentar o pregão. Esta semana o fator que mexeu com o mercado foi o iminente boicote às importações de soja pela China, em represália à restrições impostas às importações têxteis pelos Estados Unidos.
O fato repercutiu na Bolsa de Chicago. Na quarta-feira os preços futuros da soja encerraram o pregão em forte queda que afetou o mercado interno brasileiro.
Os preços internos que vinham se mantendo estáveis em novembro chegaram a cair entre R$ 1,20 e R$ 2,00/saca.
Detalhe: a China, até a quarta-feira, não havia feito qualquer cancelamento de compras de soja. O mercado sacudiu simplesmente pelo cancelamento da viagem de uma missão comercial chinesa aos Estados Unidos, anunciado no dia anterior, terça-feira.
Os chineses teriam cancelado sua visita aos Estados Unidos, que se estenderia à Chicago Board of Trade, porque no mesmo dia o governo norte-americano iniciou restrições comerciais aos produtos têxteis chineses, produzidos com mão-de-obra excessivamente barata.
Com uma notícias dessas, o mercado, que é muito dinâmico, ''não tinha como não reagir à posição defensiva dos compradores'', disseram traders. Os grandes fundos de commodities foram responsáveis por oferta de contratos e consequente queda.
Contratos com vencimento neste mesmo mês de novembro encerraram o pregão de quarta-feira a US$ 7,4875 por bushel (27,216 kg). No mercado interno isto significou forte retrocesso, ainda mais que o Paraná - tem pouca soja disponível, a ser comercializada. As cotações começaram o expediente no mesmo nível da segunda-feira (ver preços de abertura no gráfico) , mas caíram muito no final da tarde.
De nada adiantou a projeção de que o câmbio será favorável e promete encostar nos R$ 3,00/US$ 1,00 até o final do ano. O fato é que o preço da soja caiu em quase todas as regiões do Estado, especialmente nas praças de comércio como Ponta Grossa, Porto de Paranaguá, Maringá e Cascavel.
Outras notícias que não encorajam altas no mercado interno são o final da comercialização e o bom desempenho do plantio da safra brasileira de verão, que deve bater outro recorde por conta do aumento da área de plantio em Mato Grosso e Goiás. Chuvas têm beneficiado principalmente o Estado do Paraná.
A zona produtora de soja da Argentina ainda carece de umidade. Chuvas estavam previstas somente para este Sábado.
Já no Brasil, a preocupação é com quebra da safra, ainda na fase inicial. As notícias sobre aparecimento da ferrugem asiática (divulgadas no sábado pela Folha Rural e dias depois pela grande imprensa) estão preocupando.


