Banho de água fria
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sexta-feira, 02 de agosto de 2013
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
Com uma perda estimada em 80% do trigo plantado neste ano, Gelso Prete é um dos muitos produtores paranaenses que estão registrando grandes prejuízos neste inverno devido à geada que atingiu quase todas as regiões produtoras do Estado na semana passada. Segundo especialistas em meteorologia, o fenômeno foi um dos mais fortes registrados nos últimos anos, com ocorrência de temperaturas extremamente baixas principalmente no Sul, Sudoeste e Norte do Paraná.
Produtor na região de Rolândia (Norte), Prete plantou nesta safra 168 hectares de trigo. "Minha perda foi quase total, mesmo ainda sem um parecer definitivo dos peritos", salienta o agricultor. Prete conta que já acionou o seguro, mas considera a subvenção insuficiente para cobrir todo o seu prejuízo. O motivo, conta ele, é porque o contrato com a seguradora só cobre o custeio. "O seguro deveria abranger todas as despesas e os possíveis ganhos que o produtor poderia ter", protesta o agricultor.
João Luiz Sferri, produtor em Luiziania (Noroeste), uma das regiões mais afetadas pela geada, contabiliza que, dos 330 hectares de área plantada com trigo, 140 hectares já estão 100% comprometidos. Sferri completa que somente 100 hectares se salvaram com a intempérie. Os 60 hectares restantes, explica ele, ainda estão sendo avaliados pelos técnicos da cooperativa. "Sabemos do risco de plantar nesta época, mas neste ano a geada foi muito forte", lamenta Sferri.
Precavido, o agricultor também já acionou o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e o seguro. Além do trigo, Sferri registrou perda total dos seus 120 hectares de aveia preta, totalmente destruída pela baixa temperatura. No caso dessa cultura, o prejuízo vai ser maior, já que a lavoura não foi assegurada. Por isso, lamenta ele, os custos com a perda sairão do seu próprio bolso.
O agricultor Valdir Lopes Camargo, também da região de Luiziania, conta que a geada chegou a queimar até as folhas devido à sua alta intensidade. "Foi uma surpresa, não pensei que seria uma geada tão forte", lamenta. Dos 700 hectares de área plantada com trigo, Camargo estima que a perda chegue a 35%. Antes de ocorrer a intempérie, o produtor esperava colher até 60 sacas por hectare. Agora, o volume a ser colhido é uma incógnita para o produtor.
Além da perda física, Camargo completa que também há descontos em relação à qualidade do cereal, que foi comprometida com o excesso de frio. Segundo ele, o valor da saca do trigo pode cair até 35% em relação ao valor real do produto. No primeiro semestre de 2013, o preço médio da saca no Paraná foi de R$ 39,02, contra R$ 24,61 registrado no mesmo período de 2012.
Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) arrisca dizer que o Estado poderá importar mais produtos neste ano para que as indústrias paranaenses não fiquem sem matéria-prima. Segundo dados da Ocepar, as indústrias consomem 65% da produção de trigo do Estado. A demanda da indústria cooperativista gira em torno de 25%.
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