O Paraná deve receber no ano que vem R$ 30 milhões do programa Banco da Terra. De acordo com a secretaria estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), os recursos vão viabilizar o acesso à terra a cerca de mil famílias de pequenos agricultores de cem municípios paranaenses. Nos últimos dois anos, foram aplicados R$ 40 milhões que beneficiaram 1300 famílias.
Cada família beneficiada receberá R$ 30 mil para comprar a terra, construir a casa e instalar estrutura de água e luz. Até o ano passado, o limite era de R$ 40 mil, valor que secretário de Agricultura de Londrina, Nilson Ladeia, considera mais adequado.
Ele acredita que a redução no limite vai inviabilizar o acesso de famílias londrinenses. Segundo o secretário, o alqueire de terra no município custa aproximadamente R$ 8 mil. ‘‘Com R$ 30 mil será possível comprar três alqueires e utilizar o restante dos recursos para construir a casa e instalar a infraestrutura’’, informou. Ladeia observa que com essa quantidade de terra, o produtor não consegue produzir o suficiente para sobreviver e pagar o financiamento.
Dificuldades
Nessas condições, as atividades mais recomendadas são a olericultura e a fruticultura, que demandam áreas férteis e com água disponível, além de investimentos para instalar as lavouras. ‘‘Os grupos estão tendo dificuldade para encontrar terras com essas características’’, disse.
Londrina possui 30 grupos interessados no programa, totalizando 300 famílias. Até o momento, apenas dois grupos foram beneficiados, um deles com 42 famílias em São Luiz (zona sul) e o outro com seis famílias na Warta (zona norte). Cada família da Warta recebeu dois alqueires de terra, resultantes da divisão de uma propriedade que já possuia casas e água instalada.
Apesar da área reduzida, Ladeia acredita que eles conseguirão pagar o financiamento porque já eram arrendatários de áreas produtoras de olerícolas, possuem equipamentos e conhecem o sistema de comercialização da cultura. ‘‘Mas a maioria dos interessados não tem essa característica’’, alertou.
Para o secretário, o programa deveria estabelecer o limite de financiamento de acordo com as necessidades de cada região. ‘‘R$30 mil podem ser suficientes para comprar terras em outros municípios, mas inviabilizam a adesão de agricultores de cidades como Londrina’’, criticou.

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