A ação conjunta de produtores e a assistência técnica tem garantido boa produtividade aos bananais, mesmo com a presença da sigatoka negra. A doença, considerada a pior da cultura, foi identificada em 1998, em lavouras do Amazonas e, pela agressividade, chegou a levantar boatos de que perderíamos a condição de saborear a fruta preferida do brasileiro (a banana é consumida com frequência por mais de 90% da população independentemente de classe ou posição social).
Um bom exemplo é o sistema de monitoramento desenvolvido em Andirá (36 km ao oeste de Jacarezinho), onde a doença foi identificada em 2004, dois meses depois de ter aparecido nos bananais do estado de São Paulo. Andirá ocupa o posto de segundo produtor, com uma área 1.600 ha - 85% com banana nanica e outros 15% de banana maçã. A produção média é de 32 mil quilos/hectare, considerada a maior média do Paraná. Guaratuba, no Litoral ocupa a primeira colocação com uma área de 3.500 ha.
A sigatoka negra, como explica o engenheiro agrônomo Fernando Teixeira de Oliveira, da Emater de Andirá, é causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis. ''O fungo age nas folhas da bananeira. O ataque caracteriza-se pelo aparecimento de manchas escuras, provocando a queima ou morte prematura da folhagem'', explica.
A doença, continua o técnico, diminui a capacidade de fotossíntese da planta e, consequentemente, reduz a produção. ''Há uma diminuição no tamanho e número de pencas e bananas por cacho.'' A sigatoka pode promover também a maturação precoce dos frutos ainda no campo. O próprio ambiente promove a disseminação da doença com fatores como a umidade, temperatura e o vento.
Na lavouras onde a doença não é controlada podem ocorrer perdas de até 100% da produção. Devido à sua agressividade, nas regiões onde a Sigatoka-negra aparece ela acaba por eliminar outro tipo de fungo de ataque menos intenso, a Sigatoka-amarela, em cerca de três anos.
O monitoramento, segundo Oliveira, responsável pelo serviço, surgiu do interesse dos próprios produtores ligados à Associação dos Produtores de Banana de Andirá (Apbana), além da Emater, com apoio da Secretaria da Agricultura (Seab).
A quarta-feira foi o dia da semana eleito para a vigilância das lavouras de banana. O monitoramento é feito em apenas três áreas, distribuídas estrategicamente no município, contemplando as regiões noroeste, nordeste, leste e sul.
O trabalho consiste na avaliação de dez plantas, marcadas aleatoriamente na área. Oliveira, em conjunto com os produtores, avalia as folhas 2, 3 e 4 da bananeira. ''Estas folhas são as que registram a fase inicial da sigatoka negra'', explica.
A situação das lavouras são repassadas para outras 100 propriedades na região, incuindo o Vale do Paranapanema, que vai de Andirá a Rancho Alegre. ''Com o monitoramento controlamos a quantidade de fungicida aplicado na lavoura. Além de controlar a doença, garantimos benefícios também para o meio ambiente'', salienta o agrônomo.

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