Não só de citros vivem os pequenos diversificadores da região de Crnélio Procópio. A família do agricultor José Miguel dos Santos, 61 anos vividos exclusivamente com a renda do campo, resolveu seguir os passos de um vizinho e investiu na produção de banana maçã. Seu José e o filho Luciano, de 30 anos, tocam sozinhos a lavoura de 2,5 alqueires no sítio Nossa Senhora Aparecida, em Santa Mariana.
  Os produtores ainda não abandonaram os grãos. Em 18 alqueires cultivam milho, soja e trigo. Mas é a banana que paga as contas. ‘‘Esse ano a situação está tão feia que desisti de plantar trigo no inverno. A terra vai ficar ociosa’’, lamenta seu José. Segundo ele, os agricultores têm rezado e não brigado por uma política agrícola. ‘‘Estamos caindo num buraco do qual não conhecemos a fundura. Não adianta apenas rezar. Precisamos brigar para que a situação melhore’’, critica.
  Luciano conta que foi a baixa rentabilidade das commodities que os forçou a diversificar. ‘‘Precisávamos gerar renda’’, recorda o agricultor que iniciou o plantio da fruta há cinco anos e há dois já colhe os frutos do investimento. ‘‘Ao todo cultivamos cerca de 1,5 mil pés de banana maçã por alqueire, que nos rendem 1,2 mil caixas anuais da fruta’’, calcula.
  Segundo o produtor, a banana maçã é comercializada, em média, a R$ 12,00/caixa, enquanto o custo de produção é de até R$ 5,00/caixa. A adubação, explica o agrônomo Ciro Marcolini, da Emater de Cornélio Procópio, representa de 25 a 30% dos gastos, enquanto os fungicidas e inseticidas somam até 20% dos custos. ‘‘A mão-de-obra caracteriza o restante dos gastos, mas como eles trabalham em família, ela é diluída’’, afirma Marcolini.
  Para Luciano, o plantio e a adubação são as fases mais trabalhosas da cultura. Já a separação e limpeza das frutas são realizadas pelos próprios produtores, num barracão na propriedade. ‘‘Pela experiência já conhecemos os frutos de primeira e os de segunda só de olhar’’, diz. (M.G.)

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