Banana pode substituir farinha de trigo
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de dezembro de 2001
Laura Knapp<br>Agência Estado - De São Paulo 
Como diz a marchinha de carnaval, banana tem vitamina, engorda e faz crescer. Mas como também reza a máxima popular, é vendida a preço de banana, ou nem isso. O Brasil produz 8 milhões de toneladas de banana por ano mas não exporta mais do que 2%, e descarta 40% por que a fruta não se encaixa em padrões considerados adequados para os olhos do consumidor.
Um professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Luiz Marcio Poiani, e a ex-presidente da Cooperativa Mista de Bananicultores do Vale do Ribeira, Heloisa de Freitas Vale, têm um projeto para acabar com o desperdício e, quem sabe, com o histórico preço baixo da banana: usá-la como ingrediente em uma infinidade de pratos, principalmente substituindo em até 50% a farinha de trigo.
Rica em vitaminas
Não, não vai ficar tudo com gosto de banana, nem mesmo com cheiro. Antes de amadurecer, a fruta não tem gosto de nada, garante Poiani. Por outro lado, é rica em vitaminas, principalmente A, B1 e B2, e em sais minerais. Cada 100 gramas de banana verde tem 370 miligramas de potássio, além de sódio e magnésio. E se cada 100 gramas de banana madura tem cerca de 320 calorias, a verde tem só 100. Antes de amadurecer, a fruta é 20% amido, que depois se transforma em açúcar.
É justamente esse amido que dá consistência, que dá o ''grude'', e faz da polpa cozida de banana verde um bom substituto da farinha de trigo, em bolos, massas, pães e até para engrossar patês. ''Faço um excelente nhoque e um patê de tomate seco'', garante Heloisa. Mais do que isso, alimentos cotidianos, como o caldo de feijão, podem ser enriquecidos com a polpa. O tanino, que faz a boca de quem come banana verde ''grudar'', desaparece com o cozimento.
Escala industrial
Heloisa procura viabilizar a utilização da polpa de banana verde em escala industrial, que já entra na composição de produtos feitos em indústrias familiares, em regiões de Santa Catarina, Paraná e Vale do Ribeira. E disseminar seu uso pela população carente. Entre seus sonhos, plantar bananeiras às margens do Rio Pinheiros, em São Paulo, com a ajuda da Prefeitura, para alimentar os necessitados.
Há outras partes da banana que podem ser melhor pesquisadas para serem aproveitadas. O palmito encontrado no interior do caule, por exemplo, pode revolucionar a indústria - quando descobrirem como evitar que ele escureça ou fique amargo. Já o coração da banana, no final do cacho, tem componentes com propriedades expectorantes, garante Poiani. E a casca pode ser utilizada como conservante de alimentos industrializados ou para a produção de ração animal.


