Banana até para evitar hepatite
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sexta-feira, 13 de junho de 1997
Cristina Côrtes 
BenefíciosRedução de ciclo, diminuição do porte, frutas sem sementes, são desafios para a engenharia genética na produção de frutasJá está sendo produzida nos Estados Unidos uma banana que, ao ser ingerida por crianças, poderá imunizá-las contra algumas doenças infantis como a hepatite B e diarreía viral ou bacteriana. As bananeiras ainda na fase de produção experimental, em casas de vegetação, foram desenvolvidas por pesquisadores da Universidade de Cornell.
Esta informação foi divulgada pela pesquisadora Damares de Castro Monte, Chefe-Técnica de Biotecnologia do Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen-Embrapa). Ela citou esta pequisa na palestra que fez durante o seminário Rumos da Biotecnologia no Brasil, realizado em Brasília no dia 22 de maio, para ilustrar as inúmeras possibilidades e benefícios que a engenharia genética pode trazer nas áreas da agricultura, da saúde humana e animal.
PotencialA pesquisadora comentou que as pesquisas em biotecnologia na agricultura têm priorizado os grãos (soja, milho, arroz, feijão), mas o potencial de trabalho com frutas e flores é grande. Neste caso consideramos o excelente retorno econômico da exploração destas espécies como forte argumento para incentivo a estas pesquisas, comenta Damares.
No caso das frutas e flores, a engenharia genética pode desenvolver melhorias no aroma, sabor, qualidade e reduzir perdas no pós-colheita. Em algumas culturas, como a do mamão, por exemplo, as perdas no pós-colheita chegam a 40%, e poderiam ser evitadas com algumas alterações genéticas , afirma Damares.
A pesquisadora explica que os trabalhos de melhoramento convencional têm se preocupado mais com aspectos como produtividade e resistência a doenças. Nos últimos anos a ciência também tem se dedicado a estudar aspectos bioquímicos de cada tipo de fruta, cadeias de aroma e sabor.
Na Holanda, os pesquisadores estão pesquisando o melhoramento do aroma do morango, uma das frutas mais utilizadas na composição de alimentos industrializados. Com a preferência dos mercados consumidores para produtos naturais, busca-se desenvolver técnicas para extrair essências que também sejam naturais, e uma das essências mais utilizadas é a do morango, diz Damares.
Outra linha de pesquisa importante nesta área de frutas é a redução do ciclo de produção, diminuição do porte das plantas e o desenvolvimento de frutas sem sementes. Normalmente as frutíferas são plantas lenhosas, árvores que demoram muito a produzir, e este é um dos aspectos que desestimula o produtor brasileiro para seu plantio, comenta Damares.
PolêmicaSegundo a pesquisadora Damares, o uso da biotecnologia na agricultura é um processo irreversível. Diante da polêmica divulgada, por exemplo, com relação à recusa da Europa a comprar soja transgênica, a pesquisadora comenta que a aceitação é uma questão de tempo. É normal que tudo que se refere a consumo humano, exiga muita precaução para ser aceito. A pesquisadora explica também que os europeus, de maneira especial, têm uma grande preocupação em relação às consequências de qualquer novidade no meio ambiente. E com razão. Só que no caso de plantas resistentes a herbicida, como é o caso da soja, isto não é uma novidade tão grande assim. Por exemplo, já existe arroz com resistência a herbicida, e não tem causado problemas.
Muito do que se questiona hoje na engenharia genética, já vinha sendo feito sem muito alarde pelo melhoramento clássico, lembra a pesquisadora. O melhoramento tradicional é a base da engenharia genética, argumenta.
O Brasil terá, ainda este ano, no campo, os primeiros produtos geneticamente modificados: soja, milho e cana-de-açúcar resistentes a herbicidas e a insetos. A importância sócio-econômica da biotecnologia pode ser ilustrada pelo valor associado a seu mercado mundial, estimado em mais de 50 bilhões de dólares/ano. Somente na agricultura, o mercado potencial é de 30 bilhões de dólares.
Mais da metade das pesquisas com biotecnologia são feitas atualmente nos Estados Unidos. Mas, segundo Damares, o Brasil tem um know how


