Coleção de bambus cultivados no Iapar. Os estudos ainda são restritosEntre outras plantas como erva-cidreira, napiê e cana, o bambu pode ser uma boa alternativa para recuperação de vossorocas na região de arenito, onde o processo de erosão acontece com mais frequência. Pode-se plantar dentro ou em volta da área degradada.
Essa gigantesca gramínea é largamente utilizada em várias regiões do mundo, e serve a inúmeras funções. Algumas das características da planta favorecem seu uso para controlar e recuperar o solo. Tem crescimento rápido, é denso, com um sistema radicular bem desenvolvido e se adapta em qualquer tipo de solo, mesmo com baixas condições de nutrientes.
As informações são do pesquisador da área de conservação de solos do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Ronaldo Lazari Rufino. Ele destaca que o importante mesmo é evitar que a dregradação do solo chegue a situações de difícil controle, como é o caso das vossorocas.
Rasgão no soloA vossoroca é uma palavra de origem tupi-guarani e signfica ‘‘rasgão no solo’’. É uma grande movimentação de terra provocada pela ação da água ao longo do tempo. Nas áreas agrícolas, acontece com mais frequência em solos de arenito.
Segundo Rufino, em solo de basalto é mais difícil, e quando acontece é em áreas urbanas próximas da canalização de água em sistemas rodoviários. Algumas práticas de controle e recuperação: instalação de paliçada, uma barreira de madeira dentro da vossoroca que reduz a força da água; plantio de algumas plantas como o bambu de porte médio.
Milton DóriaLocalizaçãoO pesquisador Ronaldo Rufino mostra no mapa de solos do Paraná as áreas mais sujeitas a degradação
São utilizados também alguns artifícios de engenharia, para tentar estabilizar a situação, quando o fenômeno atinge dimensões muito grandes. Segundo Rufino, a erosão hídrica é processo complexo, composto pelas fases de desagregação do solo, transporte e sedimentação das partículas, que ocorrem ao mesmo tempo.
Impacto de dinamiteA gota de chuva, individualizada em milhares e milhões, forma uma massa de água que atinge a superfície do solo com energia equivalente a explosões de três toneladas de dinamite por hectare/ano.
Este fenônemo é intensificado pelo uso da terra. Segundo Rufino a forma de ocupação da terra no Paraná contribuiu muito para sua degradação. O plantio de café morro abaixo favorecia o escorrimento da água. ‘‘O agricultor incorporou a erosão sempre com naturalidade no processo de ocupação da terra, com o desmatamento. E só começa a se preocupar quando a atividade agrícola fica inviável pelos seus custos de produção’’, pondera o pesquisador.
O arenito, por exemplo, produziu bem café quando plantava em cima da reserva de nutriente. Quando acabou a reserva, acabou o café, e estava iniciado o processo de degradação daquela região.
Para o pesquisador, a rentabilidade da atividade agrícola está diretamente relacionada ao que o solo oferece. Depois que saiu o café, entrou a soja. ‘‘O produtor saiu do cabo da enxada para o trator, plantando ainda no sistema morro abaixo. No início da década de 70, a situação de degradação do Paraná era alarmante’’, comenta.
De acordo com dados do Iapar, as perdas médias de solo por erosão mais expressivas são observadas nas culturas de batata (180 t/ha/ano), café (25,6 t/ha/ano), sucessão trigo/soja (13,7 t/ha/ano), algodão (13 t/ha/ano) e milho (11 t/ha/ano).
As perdas por erosão laminar nas terras agricultáveis do Paraná chegam a 15,6 t/ha/ano. Considerando-se que 83% do território paranaense se detinam à agropecuária, estas perdas equivalem a 250 milhões de toneladas/ano, o que significa que todos os anos é inviabilizada para produção de alimentos uma área equivalente a 125 mil ha.
SoluçõesA resposta a parte desses problemas foi dada pelo Governo do Estado, que lançou programas de recuperação e controle. Segundo Rufino, em apenas 20 anos, tempo considerado recorde no Brasil e no mundo, o Paraná conseguiu recuperar boa parte da área degradada.
Foram trabalhados mais de 6 milhões de ha, e hoje mais de 2,5 milhões de ha são cultivados no sistema de plantio direto.‘‘Foi uma grande inversão num espaço de tempo tão curto’’.

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