Bambu, mais de 4 mil utilidades
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sábado, 08 de dezembro de 2007
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Num momento em que a preservação ambiental é prioridade no mundo, o bambu, planta rústica que tem uma infinidade de usos, se mostra uma boa alternativa. Conhecida no mundo inteiro como matéria-prima para artesanato, construções urbanas e rurais, alimentação animal e humana, a espécie desperta a atenção quando se fala no futuro do planeta. Como cresce de forma rápida, e emite brotos anualmente, a planta necessita de grande quantidade de carbono (50% da massa do bambu) e sequestra-o da atmosfera. Além disso, pode ser utilizado no reflorestamento de áreas devastadas. É ainda conhecido por suas propriedades de conservação do solo: as raízes dos bambus ''costuram'' os solos, tornando-os compactos e coesos.
Além da utilização tradicional, roupas, artigos de banho e mesa já estão disponíveis e alcançam um preço alto no mercado. O bambu é forte como o aço e, segundo pesquisas, a resistência à compressão de uma peça curta de bambu pode ser seis vezes superior ao concreto. É usado na fabricação de móveis, utensílios e até em sabonetes esfoliantes. O bambu é uma planta da tribo 'bambusias' e ocorre na Índia, Ásia, parte tropical da Europa e no Brasil.
O produto é usado há milhares de anos pela população da Ásia e Índia, na fabricação de cestos, armas e outros utensílios. Mais recentemente, sabe-se que armadilhas e lanças de bambus foram usadas pelos vietnamitas na guerra contra os Estados Unidos.
Algumas características fazem do bambu uma planta especial. O potencial de crescimento é uma delas: cresce mais rápido do que qualquer outra planta do planeta e pode atingir até 30 metros. Além disso, é tolerante a solos com baixa fertilidade e, dependendo da espécie, os colmos podem ser cortados após dois a quatro anos. O bambu apresenta ainda uma das estruturas mais perfeitas da natureza, pois combina flexibilidade com leveza.
No Paraná poucos agricultores se dedicam ao cultivo do bambu. Aqueles que usam a matéria-prima têm fornecedores informais e a disponibilidade é limitada ao ciclo natural da planta. O pesquisador Marcos Ferreira Scholz, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), mantém uma coleção de espécies. Ele conta que o seu interesse começou quando era administrador da estação experimental do Iapar em Ponta Grossa. ''As plantas se desenvolveram na beira de um canal, e os galhos se entrelaçaram formando um túnel'', descreve.
Atualmente existem na coleção as espécies Dendrocalamus giganteus, que alcança 30 metros de altura e cada vara pode pesar até 80 quilos, Pleuroblastus simoni, Bambusa tuldoides, Dendrocalamus asper, Bambusa vulgaris, Phyllostachys rubromarginata, Bambusa tuldoides ''STF 19'', Bambusa beecheyana, Bambusa oldhamii, Bambusa tulda, Guadua angustifolia (com espinhos), Bambusa nutans, Bambusa vulgaris var. vittata, Arundinaria amabilis e Phyllostachys nigra.
De acordo com Scholz o cultivo do bambu não requer cuidados específicos e a escolha da variedade depende da utilização. ''A planta exige cuidados mínimos, como a irrigação das mudas'', diz o técnico. Como a planta é resistente ocorrem poucas pragas, como cochonilhas e brocas, exterminadas com uma pulverização normal. O produto deve ser colhido após a maturação e secado à sombra para evitar o apodrecimento e o ataque de broca e cupim e deve passar por um tratamento específico para garantir a durabilidade.
Segundo Scholz, nos estados do Maranhão, Pernambuco e Paraíba, o bambu é cultivado para a produção de papel.


