Balizando o valor da tecnologia e os custos de produção
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de setembro de 2018
Victor Lopes <br> Reportagem Local 

Em meio às tecnologias desenvolvidas pelas multinacionais, valores (pesados) de royalties e análise dos custos de produção, resta ao produtor se estruturar em cada safra, balizando qual semente irá apostar, pensar nas características delas, e qual retorno esperar de cada uma delas. Para Romildo Birelo, gerente do departamento de sementes da Cooperativa Integrada, a consciência dos cooperados acerca do assunto melhorou bastante nos últimos anos.
Atualmente, a cooperativa produz anualmente em torno de 14 mil toneladas de semente de soja e oito mil toneladas de semente de trigo, distribuídas pelas unidades de beneficiamento (UBS) de Londrina, Mauá da Serra e Santa Cecília do Pavão. São aproximadamente 130 produtores chamados de cooperantes, que multiplicam as tecnologias que são comercializadas pela própria cooperativa nos estados do Paraná e São Paulo.
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Birelo explica que os produtores têm confiado muito na qualidade da semente, independentemente de marca. De três anos para cá, aliás, ele enxerga "um ajuste fino nessa consciência do impacto que uma semente de qualidade pode proporcionar" na safra. "Quem não entrega essa qualidade, está sendo retirado do mercado."
Com o advento da tecnologia Intacta, da Monsanto (agora Bayer), em 2012, o gerente de departamento relata que houve um aumento dos preços da semente, justificada pelos royalties que vieram juntos com a tecnologia e hoje até contestados por alguns setores e associações do agro. "Se o produtor paga mais, exige uma semente melhor. Por exemplo, o produtor jogava de 14 a 15 sementes por metro linear, uma população de 300 mil plantas por hectare. Agora, são 224 mil plantas por hectare, uma redução de 10% a 15%. Ele está jogando menos sementes (para economizar) e confia nos bons índices de germinação, com maior qualidade, e assim tendo custos mais eficientes."
Mesmo assim, a cooperativa continua se preocupando a pirataria. Para Birelo, essa é uma tentativa do produtor de reduzir os custos da lavoura que geralmente acaba em frustração, porque a chance de insucesso é muito grande. "Quando isso acontece, geralmente o produtor se acanha e não gosta de comentar. Depois vai em busca de sementes certificadas em cima da hora (do plantio). Hoje 50% do preço da semente é a taxa de tecnologia. Não tiramos a razão das multinacionais, que são geradoras de tecnologia. Queremos ver um sistema sustentável, em que as companhias captem recursos para sustentar essas tecnologias e o agricultor não veja de forma tão onerosa esses custos e acabe partindo para um caminho da semente pirata." (V.L.)


