Animal é pesado enquanto toma água, garantindo mais precisão ao processo sem estressá-lo, explica o engenheiro de controle de automação Lucas Aguirre
Animal é pesado enquanto toma água, garantindo mais precisão ao processo sem estressá-lo, explica o engenheiro de controle de automação Lucas Aguirre | Foto: Gina Mardones


Quando se pensa em toda a tradição do Brasil na produção de gado de corte - com tantas alternativas em nutrição e estrutura de confinamento, por exemplo - é estranho pensar que ainda há um longo caminho para se evoluir em tecnologia. E foi nesse gargalo que a startup PersonalBov, do MS (Mato Grosso do Sul), encontrou uma sacada para a detecção de bois de baixo rendimento durante a produção de um lote de animais.

Um dos autores da solução é o engenheiro de controle de automação, Lucas Aguirre, que trabalhava com hardwares para a empresas e percebeu um número alto de demandas na pecuária de precisão. A sacada foi a criação de uma balança acoplada ao bebedouro para confinamento e semi-confinamento.

Ele explica que, de forma geral, os pecuaristas não pesam os animais do lote quando estão ganhando peso porque isso gera stress, pode machucá-los e, assim, atrapalhar o desenvolvimento deles. Com isso, existente uma tendência grande de surgir o chamado 'boi ladrão', animais em meio ao lote que estabilizam o ganho de peso no meio do processo, mas continuam se alimentando e, assim, aumentam o custo de produção. "O pecuarista precisa pesar o animal da forma mais calma possível, ele fica tranquilo enquanto bebe água, fica no local por até dois minutos e isso nos dá uma maior precisão na pesagem."

Sem contar apenas com o "olhômetro" para saber se os animais estão ganhando peso, caso apareça algum 'boi ladrão', é possível identificá-los, tirá-los do lote, ou até mudar a nutrição e resolver um problema sanitário. Além disso, não há intervenção humana na pesagem e é possível um acompanhamento diário remoto. "Isso auxilia na tomada de decisão. Hoje estamos vendendo cada balança de R$ 4 mil a R$ 4,5 mil, ainda a custo de produção para fomentar a escala do produto e adesão dos produtores. Hoje já estamos instalados em três propriedades, duas no MS e uma em SP. Atualmente estamos com uma aceleradora em Campinas e buscando recursos para uma expansão maior." (V.L.)

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