A produção de leite do Paraná deve crescer 6% este ano, 1,4%, abaixo do crescimento do ano passado (7,4%), ainda assim acima da média dos últimos cinco anos (5,02%).
Em volume, a pecuária leiteira paranaense fecha o ano com 2,37 bilhões de litros (2,23 bilhões em 2001).
A queda no ritmo de crescimento é reflexo dos baixos preços pagos aos produtores em pleno período da entressafra no ano passado. Isto causou desestímulo aos fornecedores de maior escala, aponta o técnico do Deral, Francisco Perez Junior,
No ano passado as condições foram melhores para a pecuária leiteira paranaense. A produção cresceu 7,4% em relação a 2000 (2,08 bilhões de litros), elevando para 10,7% a participação do Estado na produção nacional, de 20,82 bilhões de litros, segundo o IBGE.
Foi em 2001 que o Paraná passou de quinto para o terceiro maior produtor de leite do país, superando o Rio Grande do Sul e São Paulo. Em primeiro e segundo lugares estão Minas Gerais e Goiás.
Preço na fonte - Este ano os preços médios nominais mensais recebidos pelos produtores no Paraná vêm sendo reajustados progressivamente. Entre fevereiro e julho de 2002, houve crescimento médio mensal de 6,2%, decorrente principalmente do período de entressafra. Os preços praticados de julho a setembro ficaram no mesmo patamar de R$ 0,33/litro de leite, superior 22,2% ao preço praticado no mesmo período do ano de 2001, que foi de R$ 0,27/litro.
O menor preço foi pago na região de Paranavaí: R$ 0,23/litro de leite e o maior preço foi alcançado em Ponta Grossa com R$ 0,40/litro. O leite desta região vem recebendo a melhor cotação do Paraná devido à implantação por parte das cooperativas, do sistemas de pagamento do leite por qualidade e por volume (bonificação), pela competição travada pelas grandes empresas de laticínios dos Estados do Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul pelo leite de excelente qualidade produzido nesta região.
Segundo o veterinário e técnico do Deral, coordenador do Programa Estadual de Qualidade do Leite do Conselho de Sanidade Agropecuária, Osmar Buzinhani, a produção nesta entressafra está entre 15% a 18% menor em relação ao mesmo período do ano passado. Por isso ele não acredita na perspectiva de crescimento anual.
Depois do baixo preço no verão, o aumento na cotação do milho fez com que o grão tivesse outro destino (aumentou a exportação) e o preparo de silagem, para manter a produção pelo menos estável na entressafra, ficou prejudicado. Sem o reforço alimentar, a tendência da produção é cair, já que a época é de pastos ruins. A soja também aumentou; as rações existentes no mercado, afetado brutalmente pela variação cambial, também subiram. Depois de tanto banho de água fria um certo desestímulo toma conta do setor. Mesmo assim, o técnico do Deral propõe que os pecuaristas leiteiros passem a pensar mais na qualidade do que no volume a fim de pressionarem indústrias a um pagamento diferenciado pelo produto.

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