Outro analista, Oto Xavier, da JOX Assessoria Agropecuária, diz que no Estado de São Paulo a produção de suínos também está em baixa, em função dos prejuízos do setor. Lá, as vendas de frigorífico se concentram em carne fresca, e o preço desta semana variava entre R$ 1,81 e R$ 1,92 o quilo. O preço não sobe porque a falta da mercadoria é suprida por suínos trazidos dos estados vizinhos. Além disso, a baixa remuneração da população permite um pequeno fluxo de consumo na primeira quinzena de cada mês. O incentivo no consumo exige, assim, melhoria na renda das pessoas e campanhas mais insistentes.
Ele comparou com o frango. Se o consumo hoje é alto, é preciso levar em conta que foram necessários trabalhos de três gerações, observa Xavier.
O presidente da Associação de Criadores de Suínos concorda com os analistas de São Paulo e informa que 70% da produção é consumida em produtos elaborados. Apenas 30% tem consumo in natura. Braun não concorda que haja preconceito por parte dos brasileiros com relação à carne de porco. Falta, para ele, investir em cortes mais elaborados, embalagens adequadas e preços mais acessíveis.
Braun reclama que há uma má distribuição da margem de lucro na cadeia. ''Os varejistas ganham muito e, mesmo quando há queda no preço, ela não chega ao consumidor'', denuncia.
Distorções - A Associação participou recentemente de discussões junto à Câmara Setorial, em Brasília, onde apresentou os índices de distorções de preços. Braum garante que há diversos pontos que precisam ser corrigidos para que o mercado conviva de forma mais justa. ''Nunca produzimos tanto e tão bem. Nunca exportamos tanto, e nunca perdemos tanto'', observa.
A associação pretende continuar as campanhas de incentivo ao consumo da carne in natura no país, iniciada 10 anos atrás. Existe, segundo ele, um fundo criado entre os três estados do Sul para patrocinar essas campanhas. De cada animal abatido é repassado R$ 0,10 para esse caixa. ''Os recursos são poucos mas estamos agindo''.

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