Investimentos necessários em barracões mais antigos podem inviabilizar a atividade, opinam produtores
Investimentos necessários em barracões mais antigos podem inviabilizar a atividade, opinam produtores | Foto: Sistema Faep/Divulgação



Avicultores de diversas cidades do Norte do Estado, de forma praticamente unânime, entendem a importância das adequações impostas pela Instrução Normativa 08, do ano passado. Entretanto – devido à atual remuneração baixa e exigência elevada das integradoras – eles acreditam que muitos não serão capazes de se manter na atividade, principalmente aqueles com barracões mais antigos e que precisam passar por muitas reformas.

Com três aviários em propriedade na região de Londrina, um avicultor que preferiu não se identificar com temor de represálias da empresa parceira, relata que foi necessário realizar várias adequações no espaço onde trabalha com 45 mil aves. "Mudanças na cerca em volta dos aviários, composteira dentro das normas e melhorias no arco de infecção, além da tela contra pássaros foram algumas delas", exemplifica ele, que está na atividade há 22 anos.

Os investimentos mais pesados foram com a cerca e a tela, que chegaram a R$ 25 mil. O produtor sabe da importância de seguir a IN, mas acredita que o produtor não ganha o suficiente para fazer tantas modificações no cenário atual. "Aqui em Londrina temos muitos avicultores de épocas mais antigas, com aviários bem defasados. Esses dificilmente vão conseguir se manter na atividade."

Ele relata que atualmente recebe em média de R$ 0,70 por cabeça, o que ele considera pouco frente aos custos de produção. "Energia e mão de obra estão muito caras. A manutenção dos barracões também são elevadas e não ganhamos o suficiente para manter tudo isso."

APUCARANA
Com propriedade em Apucarana, outro avicultor também gastou, no ano passado, em torno de R$ 25 mil em cercamento e arco de desinfecção nos dois galpões onde aloca 30 mil aves. "Sem dúvida é necessário cumprir a IN, porque previne diversas doenças. O problema é que os custos para criar o frango deixam a atividade inviável atualmente."

Entre as reclamações, uma das principais, segundo ele, é que "90% das responsabilidades ficam com os produtores, e não com as empresas". "É uma parceria meio desigual, não acha? Hoje está difícil se manter na atividade, os custos estão nas alturas, principalmente com energia e funcionários."

Ele relata também que as integradoras estão cada vez mais exigentes, cortando inclusive avicultores que não cumprem com algumas exigências, como aviário climatizado com pressão negativa e gerador. "O engraçado é que ano passado acabei tirando um lote a menos do que previa (cinco ao invés de seis) justamente porque eles deixaram o meu frango na propriedade com 54 dias, ao invés de tirar com 45 dias. Com mais 26 dias de vazio, perdi um lote que representa R$ 45 mil no meu orçamento. Aí fica complicado."

GUARACI
Em Guaraci, mais uma produtora insatisfeita. Na propriedade de 150 alqueires, que inclui outras atividades, há dez anos resolveu construir um barracão no valor de R$ 200 mil para a avicultura. "São raras as empresas que dão valor ao produtor. Fui ficando desgostosa ao longo do tempo. Como eles, as informações nunca ficam às claras: não sabemos se vai faltar ração, se eles estão bem financeiramente e isso reflete em nós".

Ela cita um caso interessante que aconteceu esta semana. Ao invés de colocar 25 mil aves no seu barracão, a integradora colocou 35 mil, "porque chocou mais pintinho". Diferentemente do normal, a retirada dos animais no final do lote aconteceu em dois dias, mas a ração foi cortada antes. Ou seja, pouco mais da metade do lote ficou um dia sem comer. "Os animais passaram fome, ficaram estressados e perderam peso. Isso no final das contas vai atrapalhar a minha rentabilidade."

Apesar das dificuldades, ela acredita que ainda vale a pena perseverar. Continuou cumprindo com as exigência de biossegurança e recentemente gastou R$ 25 mil com a troca da forração do aviário. "Se fechar o aviário, a hora que retomar vou gastar ainda mais. No lote passado, recebi em torno de R$ 0,30 por cabeça. Às vezes penso que a atividade é uma bomba prestes a explodir." (V.L.)

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