O momento favorárel a exportação da carne brasileira, despertou os baianos para o incremento e modernização de sua pecuária. A localização da Bahia com uma enorme costa voltada para o oceano Atlântico é um dos principais fatores apontados pelo Secretario da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária da Bahia, Pedro Barbosa, para impulsionar o crescimento da agropecuária baiana voltada para exportação.
Quem visitou a Festa Internacional da Agropecuária (Fenagro 2001) realizada de 24/11 a 2/12 em Salvador, pôde conhecer todo potencial da Bahia para a produção de carne bovina, além dos caprinos que constituem o maior rebanho brasileiro com 4,5 milhões de cabeças e os ovinos, com 2,0 milhões.
Recuperação
O rebanho atual do estado é 9 milhões de cabeças, composto de 80% de nelore. E segundo o diretor de desenvolvimento da pecuária da Seagri, Luiz Hage Rebouças, a atividade está retornando, em franca expansão e a previsão é de que dentro de dois ou três anos o rebanho baiano volte a ter 12 milhões de bovinos.
A Fenagro deste ano, reunindo aproximadamente 6 mil animais de 40 raças diferentes e a participação de 2000 expositores, refletiu o momento positivo da atividade na Bahia depois da aprovação do estado como zona livre de aftosa em maio. Segundo os organizadores, muitos criadores não participavam da feira, que começou a ser realizada em 95, porque antes do reconhecimento com área livre de aftosa, os animais que participavam da feira não podiam mais retornar à sua origem, se não fossem comercializados. Nesse ano, o números de criadores interessados em participam foi muito superior, e houve até lista de espera, segundo os organizadores.
A Fenagro vetou a entrada de animais vindos de estados que ainda não são considerados zona livre de aftosa como todos do Nordeste, com exceção de Sergipe. O Rio Grande do Sul também ficou de fora, pou causa da identificação de alguns casos no início do ano.
Frigoríficos
Aproximadamente metade do rebanho bovino na Bahia ainda é abatido clandestinamente. ''É um número grande, mas já foi maior. No ano passado estava em torno de 60%. Governo e criadores estão se empenhando na modernização das plantas antigas'', comenta Plínio Laranjeira de Moura, coordenador da Seagri.
Segundo Plínio a pecuária baiana, especialmente no sul da Bahia, tem índices baixos de custos de produção, fazendo o pastejo rotacionado com capim o ano inteiro. ''Nos últimos anos o pecuarista tem tratado capim como cultura, e o retorno na produtividade de carne é excelente''.
A Bahia ainda não exporta carne, mas já está no caminho para conquistar o mercado externo, avaliou o produtor e dono de frigorífico Fernando Andrade.''Nós estamos criando bem, mas ainda estamos abatendo mal e comercializando mal''.
O governo da Bahia está estimulando a vinda de empresários de outros estados para a implantação de frigoríficos com tradição em exportação. Segundo Andrade a concorrência não assusta. ''A concorrência honesta é sempre positiva porque nos estimula a melhorar para competir. O que nos preocupa somente é a concorrência desonesta, porque esta sim pode inviabilizar o crescimento do setor.
Para o secretario da Agricultura Pedro Barbosa, a situação dos frigoríficos não é boa no Brasil como um todo, e a Bahia também enfrenta problemas. Atualmente, dos cinco frigoríficos importantes no estado, apenas dois estão sendo administrados pelo próprio dono, enquanto os outros três estão arrendados.

A jornalista viajou a Salvador a convite de Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária da Bahia

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