Desde que Jacob Stallmam se estabeleceu no oeste, desapareceram os ''supercafeicultores'' ao norte Wilson Baggio, outrora referência de um milhão de pés, declarou à FOLHA agora, em 2010: ''Hoje, contando 85 anos, não tenho mais café, embora seja um grande apreciador dessa importante cultura'' Renovador de cafezais na décadas de 80 e 90, assim mesmo Baggio não continuou ante conjunturas incompatíveis com a grande produção
''O ano de 1975 foi o marco divisor, o Paraná perdeu a hegemonia, que passou ao norte de São Paulo, uma parte, e Minas Gerais'', resumiu
Wilson Baggio foi também o dirigente classista que não se cansava de interferir toda vez que se impunha uma política cafeeira de cima para baixo, geralmente a cada quatro anos na troca de governo ''Eles (os homens dos governos) passam, mas o cafeicultor fica, aqui no toco, como nós'', resumiu numa entrevista em 1985
No bolso da camisa ou do paletó, Wilson tinha sempre uma caderneta repleta de anotações, que podia sacar ao discutir números com um ministro ou um dirigente do IBC Eram os seus ''arquivos implacáveis'', diziam os jornalistas Não se sabe quantas cadernetas acumulou, mas é certo que se encontram nelas substanciais informações da cafeicultura brasileira em um longo período
Representando a comissão técnica do café da Federação da Agricultura do Paraná (Fiep) e o Sindicato Rural de Cornélio Procópio, Wilson apelou ao ministro da Indústria e Comércio em 1988, Roberto Cardoso Alves, a fim de que se evitasse ''por todos os meios a extinção'' ou ''mesmo o esquartejamento'' do Instituto Brasileiro do Café (IBC) Que se mantivesse o IBC ''na sua total unidade, devidamente reformulado, enxuto, com um mínimo de funcionários'', sem que isso implicasse o desmembramento de departamentos para outros órgãos federais (W S )

mockup