O pecuarista Rubens Accorsi, de Londrina com propriedade em Paranavaí, no Noroeste do Estado, está usando o bagaço de laranja como alternativa para alimentar bovinos no período das secas há seis anos. O pecuarista faz todos os anos um planejamento da alimentação na entressafra com a orientação do agrônomo Antônio Ledesma Neto.
O objetivo é manter o desenvolvimento do plantel durante o período de seca, quando a comida natural (o pasto) é escassa e também usar uma alternativa mais econômica do que o milho grão ou a silagem de milho, por exemplo, usada por alguns pecuaristas durante o inverno para alimentar os animais.
Semelhante ao milho
O agrônomo Antônio Ledesma garante que o bagaço de laranja tem uma composição nutritiva semelhante à silagem do milho e em nada altera o desenvolvimento dos animais ou o sabor da carne. Ainda segundo Ledesma o uso do produto, dentro dos limites recomendados, não dá alteração nos resultados de ganho de peso, fertilidade, produção de carne ou de leite. Ele lembra também que o pecuarista que não quiser utilizar diariamente o produto pode ter no bagaço uma fonte emergencial, no caso de um inverno muito seco, com falta de pasto.
O bagaço de laranja, segundo Antônio Ledesma, pode ser usado na forma in natura, amontoado no campo e fornecido diariamente aos animais, ou transformado em silagem. ‘‘O mais fácil é amontoar num piquete, a ceu aberto, num lugar que os animais não tenham acesso à vontade, deixar secar e depois fornecer no cocho,’’ aconselha Accorsi.
Uso na dieta
Antônio Ledesma avisa que o fornecimento do bagaço não pode ser alimento exclusivo na dieta dos animais. O ideal, segundo o agrônomo, é fornecer até 30% (base da matéria seca) da dieta com o subproduto. Na introdução do novo alimento ele aconselha que as porções sejam aumentadas dia a dia até chegar aos 30%. ‘‘Quem tem silagem de milho, por exemplo, pode economizar na silagem adicionando o bagaço na alimentação.’’
O pecuarista Accorsi, por exemplo, usa cana como volumoso, somada ao bagaço de laranja, porque acha que fazer silagem de milho, no seu caso, não compensa e é dispendioso. ‘‘O bagaço entra como parte do concentrado e não só como volumoso de enchimento dos animais’’, diz Accorsi. O pecuarista prefere preservar parte da forragem que a pastagem possa oferecer aos animais pois a sua intenção é deixar a mesma em descanso a maior parte da estação seca e utilizá-la ao máximo durante a estação das águas.
Reduzindo custos
Accorsi usa uma ração elaborada por Antônio Ledesma que é composta de massa de mandioca, polpa de citros peletizada e in natura, semente de algodão, calcário calcítico, sal branco, sal mineral, entre outros, mais a cana-de- açúcar. Com essa dieta consegue alterar significativamente o custo da alimentação. Dependendo da categoria animal, raça, idade, sexo e outros ítens, o agrônomo garante que essa alteração pode chegar a 85% do custo diário por cabeça.
Na fazenda de Accorsi os animais são criados num tipo de semiconfinamento e o sistema de produção e alimentação proporcionam uma taxa de retorno maior porque procura-se eliminar os altos custos, especialmente usando alternativas mais baratas de alimentos, o que segundo o pecuarista provocam ‘‘o mesmo efeito’’. Todo o gado criado a pasto recebe suplementação no inverno e no verão, o que sobra do inverno, é fornecido para categorias que precisam, em certos períodos, de uma alimentação mais caprichada como bezerros e vacas prenhas.

mockup