''O mercado está consolidado e o futuro é promissor''. Com essas palavras, Domingos Martins, produtor de frango de corte e presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar) anuncia que o Estado já se firmou como o maior produtor e exportador de frango do Brasil. De acordo com dados da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), de janeiro a abril deste ano, o volume enviado para fora do País teve um crescimento de 10,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
Em receita, as exportações do Estado no primeiro quadrimestre de 2011 cresceram 30,3% em comparação a 2010. Para se ter uma ideia da representatividade desses números frente ao mercado nacional, o crescimento em volume exportado em todo País foi de apenas 8,8% e um aumento em receita de 29,7%, abaixo do índice estadual. Só no mês de abril, as vendas externas de carne de frango no Paraná cresceram 25% se comparado ao mesmo mês de 2010. Em volume, segundo o Sindiavipar, o crescimento no período foi de 4,2%. Foram exportadas 89,2 mil toneladas no mês de abril desse ano.
De acordo com Martins, as 31 indústrias associadas ao Sindiavipar abatem 110 milhões de cabeças por mês, 4 milhões por dia, representando 98% da produção Estadual. ''O Paraná é propício para a criação de frangos de corte, temos um campo fértil para a avicultura e o investimento acontece'', explica. Conforme o presidente do sindicato, um dos motivos pela liderança paranaense é a alta participação de pequenos produtores que, com a integração, descobriram na cadeia produtiva uma fonte de renda de retorno mais rápido do que a agricultura, por exemplo.
Comparação
Martins reforça que o ciclo completo de uma produção de frango de corte acontece, em média, a cada 60 dias. ''Ou seja, a cada dois meses o criador recolhe os frutos de seu investimento'', orgulha-se. Já na agricultura, segundo o presidente, o retorno demora muito mais, chegando a um ano, dependendo da cultura. Além disso, Martins aponta que além do setor ter um ciclo mais rápido, o fato do Paraná ser o maior produtor de grãos do País propiciou o crescimento da avicultura que depende diretamente desses insumos para a alimentação dos animais.
''Enquanto em algumas regiões do País as granjas ficam longe das principais regiões produtoras de farelo de grãos, o Paraná é beneficiado porque a alimentação dos animais é cultivada praticamente dentro das granjas'', reforça Martins. O presidente aponta que esse fato impulsionou o norte e noroeste do Estado na produção de frangos de corte.
''Nenhuma atividade remunera tão bem o produtor quanto o setor avícola'', comemora Martins. Porém, reconhece que o investimento inicial é alto mas vale a pena. Dados do Sindiavipar revelam que um aviário com 30 mil animais custa em torno de R$ 30 mil. ''O setor tem potencial de pagar esse investimento logo no princípio'', informa o presidente do sindicato. Ele afirma que o mercado avícola se sobressai ao dos suínos e bovinos, mesmo porque não há restrições religiosas ou mercadológicas para a carne de frango no mundo.
Logística e infraestrutura
Martins acrescenta que o sistema de infraestrutura e logística do Estado é outro motivo que contribui para o desenvolvimento da avicultura. ''Temos boas estradas de escoamento de produção e um sistema portuário eficiente. Paranaguá se adequa bem às necessidades do setor, pois tem sistemas de refrigeração de ponta e é ágil no escoamento das aves'', comenta o presidente do Sindiavipar. Além do governo do Paraná, empresas como a Unifrango, estão investindo em logística e infraestrutura de escoamento no Estado.
Em 2012 a empresa deverá inaugurar uma central de armazenagem implantada em Apucarana, com capacidade de guardar cerca de 10 mil toneladas. A novidade é que boa parte dessa produção deverá ser escoada via férrea até o porto de Paranaguá. Segundo Martins, a previsão de inauguração é janeiro de 2012.

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