Avicultura de postura espera maior produção em 2013
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sábado, 09 de fevereiro de 2013
Victor Lopes<BR> Reportagem Local 
Empate em zero a zero. Se a relação da avicultura de postura com o mercado consumidor pudesse ser representada por uma partida de futebol, este seria o resultado apresentado em campo no ano passado. Tanto a produção quanto o consumo interno de ovos ficaram aquém do esperado pelo segmento, que tem a expectativa de ganhar fôlego em 2013. Dados da União Brasileira de Avicultura (Ubabef) apontam um crescimento na produção do País de apenas 0,7% em 2012, um salto pequeno de 31,5 bilhões de unidades para 31,7 bilhões.
No Paraná, a elevação foi um pouco melhor, mas também tímida. Em 2012, foram produzidos 2,26 bilhões de unidades (mais de sete milhões de ovos dia) contra 2,18 bilhões do período anterior, alta de 3%. Em relação a sua participação frente aos outros estados, os produtores paranaenses de ovos ficaram em quarto lugar (7,14%), atrás de São Paulo (36,59%), Minas Gerais (11,73%) e Espírito Santo (7,69%) (veja os gráficos). Atualmente, o Paraná possui por volta de nove milhões de galinhas chocadeiras, algo em torno de 10% do volume encontrado em todo o Brasil.
Entre os especialistas de mercado e produtores consultados pela FOLHA, não há dúvidas que o "pesadelo" de 2012 está relacionado às altas do milho e do farelo de soja. As commodities, fundamentais para o crescimento dos animais e incremento da produção, dispararam em função da seca no Sul do País e a quebra da safra dos Estados Unidos. "Essas altas fizeram com que o produtor tirasse o pé do acelerador e produzisse menos. Ficou difícil tocar a granja com este alto custo. As margens diminuíram demais para nós", avalia o presidente da Associação Paranaense de Avicultura (Apavi), Arnaldo Cortez.
Outro problema que acabou freando a produção foi a falta de pintinhos. Cortez comenta que diversos granjeiros do Estado tiveram dificuldades para comprar aves pequenas dos incubatórios do Paraná, Rio Grande do Sul e, principalmente, São Paulo. "Problemas sanitários no interior de São Paulo dificultaram o nosso desenvolvimento aqui. Ano passado, a nossa expectativa era ter crescido pelo menos 10% em produção", desabafa o presidente da Apavi.
Com a margem de faturamento, segundo Cortez, cada vez "mais espremida", a expectativa para este ano é que aqueles produtores que tiverem a capacidade de aumentar a produção, devem fazer isso. "Sinceramente, os preços da soja e do milho podem até se estabilizar, mas não imagino eles descendo. Portanto, como nossa margem de preços é difícil de negociar, o volume de aves no plantel dos granjeiros deve aumentar substancialmente", projeta ele.
Para o presidente da Ubabef, Francisco Turra, um dos caminhos para incrementar o negócio em 2013 é aumentar o consumo interno que, de acordo com ele, está muito baixo. Dados da entidade apontam que o consumo per capita caiu 0,65% entre 2011 e 2012. No ano passado, o brasileiro consumiu, em média, 161,5 unidades contra 162,6 no período anterior. "O consumo interno é metade do México e dois terços da Inglaterra. Para incrementar nossos números, vamos ter que quebrar certos mitos, principalmente o relacionado ao colesterol. Estamos trabalhando para desmistificar muitos tabus relacionados a frangos e ovos no País", complementa Turra.

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