Degustar um suculento frango caipira criado solto no quintal não é mais tão inacessível para consumidores da zona urbana. Graças à iniciativa de Maria Madalena e Messias Luís Batista, proprietários de um abatedouro de aves em Ivaiporã (110 km ao sul de Apucarana), já é possível encontrar o produto nas gôndolas de algumas redes de supermercado. Trata-se do frango Gosto Caipira, criado por 30 pequenos produtores da região integrados ao abatedouro responsável por abater, preparar para consumo e embalar aves criadas soltas e alimentadas com produtos naturais. A empresa abate 400 animais por dia.
Os proprietários do abatedouro decidiram investir nesse mercado estimulados pelo interesse de muitas pessoas em consumir alimentos mais saudáveis. As experiências iniciais foram feitas no quintal da propriedade de 18 alqueires, onde possuiam uma granja convencional. O primeiro abate foi de apenas 20 frangos, comercializados na região. ‘‘Percebemos que havia demanda e resolvemos investir’’, contou Messias.
Manejo alternativoO primeiro passo para converter a produção foi abandonar o sistema convencional e buscar tecnologias para criação de frango caipira em maior volume. ‘‘Visitamos várias propriedades de outros estados para conhecer as técnicas’’, disse. Diferentemente das granjas convencionais, os animais são criados soltos em uma grande área cercada. A raça utilizada é a francesa Label Rouge, que não passou por qualquer melhoramento genético e atinge peso para abate sem a utilização de hormônios.
Os frangos não recebem antibióticos. Até completarem 30 dias ficam em uma estufa onde são vacinados e tomam vermífugos. Após um mês são soltos na granja, onde permanecem por mais 60 dias, tempo suficiente para expelir resíduos dos medicamentos. O abate é feito com 90 a 100 dias, o dobro do tempo de espera para o frango convencional.
A alimentação também é especial. Além de fornecerem um balanceado de milho, soja, minerais orgânicos, calcário, sal e farinha de carne, os produtores oferecem um trato alternativo à base de abóbora, capim, verduras e legumes em geral, normalmente resultantes das sobras de olerícolas cultivadas para comercialização. ‘‘O trato alternativo é mais saudável e diminui o custo de produção’’, explicou Batista.
O resultado de tantos cuidados é percebido no prato do consumidor. A carne, de coloração amarelada, possui sabor mais acentuado, consistência firme e reduzido índice de gordura e colesterol. ‘‘Como as aves andam bastante, criam musculatura’’, revelou. Engana-se porém quem pensa que o frango caipira é duro ou difícil de cozinhar. De acordo com Madalena, o cozimento leva de 25 a 30 minutos em panela comum. ‘‘Não precisa usar pressão’’, orientou.
No abatedouroCom três meses, os animais atingem de 1,7 a 2,2 quilos e são encaminhados para o abatedouro. Após o abate, são escaldados e depenados em um equipamento próprio para a função. Em seguida, funcionários retiram a penugem à mão, encerrando os trabalhos na chamada ‘‘parte suja’’ da empresa.
Já em outro compartimento, são retiradas as vísceras e os miúdos. A veterinária Gisele Freitas Barone, que acompanha toda a atividade do abatedouro, explica que os pés são cortados e a carne é colocada em água com gelo e cloro para evitar a multiplicação de bactérias. Por fim, as aves são embaladas, congeladas e estão prontas para a venda.
O abatedouro paga ao produtor R$1,60 por quilo pesado vivo e vende a carne já congelada a R$ 2,90 o quilo. De acordo com Batista, a venda do frango vivo garante uma rentabilidade de R$ 0,70 a R$ 0,80 por animal. Após o abate, o lucro é de R$ 0,30 por quilo.
Ele não soube precisar quanto investiu em todo o empreendimento. ‘‘Fomos construindo aos poucos, com recursos próprios’’, disse. Também informou que o custo de produção é mais alto em comparação ao sistema convencional. ‘‘O frango caipira consome a mesma quantidade de alimentos, mas o abate é realizado com o dobro do tempo’’.

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