Avicultores integrados reclamam de remuneração

O presidente da Associação dos Avicultores do Norte do Paraná (Avinorte), Carlos Alberto Vallini, afirma que o aumento no preço da ração interfere no valor recebido pelos produtores das integradoras. Ele cita que o preço do frango nos supermercados aumentou proporcionalmente bem mais do que a remuneração paga aos criadores.
Conforme Vallini, o valor médio pago pelas integradoras no Paraná chega a no máximo R$ 0,80 por uma ave de cerca de 3 quilogramas, mesmo para granjas com alta produtividade. "Recebemos mais quanto mais baixa é a conversão alimentar, mas já não tem como reduzir mais, mesmo com a melhor tecnologia, e eles não pagam um valor suficiente", cita.
O custo para os produtores era de R$ 0,60 ainda no ano passado, diz o presidente da Avinorte, mas as integradoras consideram um valor de R$ 0,46 como média de mercado. "Pedi a eles informações sobre de onde tiraram esse número e não quiseram abrir. E dizem que não podem repassar a alta de custos aos produtos, mas fui ao mercado esses dias e um peito de frango que saía por R$ 6 já está R$ 10."
Para fazer novos contratos, ele cita o apoio da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Isso porque as contas para remuneração de produtores envolvem questões ainda pouco definidas para eles, por meio de um cálculo que contempla a conversão alimentar (ração recebida em relação ao peso do produto), mortalidade e idade do lote, entre outros fatores.
Para Vallini, que trabalha com um pequeno frigorífico, é possível remunerar melhor os produtores. "Trabalho com uma que abate 100 mil a 120 mil frangos ao mês e que remunera com uma média de R$ 0,90 por ave, então não dá para entender os grandes que pagam esse valor", reclama. (F.G.)





