Avicultores amargam prejuízo em todas as regiões do Paraná
Novo levantamento dos custos de produção realizado pela Faep aponta saldo negativo para produtores nas regiões de Campos Gerais, Norte, Oeste e Sudoeste
PUBLICAÇÃO
sábado, 31 de agosto de 2019
Novo levantamento dos custos de produção realizado pela Faep aponta saldo negativo para produtores nas regiões de Campos Gerais, Norte, Oeste e Sudoeste
Victor Lopes - Grupo Folha 

Uma das principais atividades do agronegócio paranaense está com o sinal de alerta vermelho ligado. Os avicultores do Estado – líderes em produção e exportação para diversos países do mundo – estão com dificuldades para fechar as contas, e não é de hoje. O novo levantamento dos custos de produção da avicultura realizado pelo Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), entre maio e agosto, aponta prejuízo para produtores nas regiões de Campos Gerais, Norte, Oeste e Sudoeste.
Não importa o tipo de aviário ou o sistema de produção, quando considerados os custos variáveis, operacionais e a remuneração sobre o capital, fica difícil para os avicultores fecharem as contas no azul, principalmente ao longo prazo. A reportagem da Folha Rural conversou com representantes do setor para entender as dificuldades recentes de lucrar com uma atividade que gera tanta renda para o Estado.

Nas cidades avaliadas com sistema de produção para frango griller (mais leve, finalizado em 30 dias), todas fecharam no vermelho em relação aos resultados: Dois Vizinhos (-R$ 0,152), Cambará (-R$ 0,111), Campos Gerais (-R$ 0,245) e Chopinzinho (-R$ 0,244). No levantamento nos municípios em que o trabalho das granjas é com frango pesado (até 45 dias para o abate), apenas Londrina (saldo positivo de R$ 0,06) escapou do vermelho: com Toledo (-R$ 0,109), Cianorte (-R$ 0,091) e Chopinzinho (- R$ 0,088) novamente amargando prejuízos. Vale dizer que as informações foram coletadas em três etapas: preenchimento de planilhas pelos produtores, encontros com avicultores e representantes da indústria da cadeia produtiva com confirmação dos dados e compilação dos números para apresentação do resultado final.
De acordo com a médica veterinária do Departamento Técnico Econômico (Detec) da Faep, Mariana Assolari, os números estão negativos desde 2017. No ano passado a entidade não realizou os levantamentos, retomando agora o trabalho. “O grande impacto está nos custos de mão de obra, cama do aviário (onde se paga por ela), aquecimento e energia elétrica. Isso está ligado de 70% a 78% dos custos do produtor e quando se faz a gestão, é preciso levar muito em consideração”, explica.

Outro ponto importante é que o resultado fica ainda mais complicado para os avicultores quando se coloca a depreciação do aviário (custo operacional) e a remuneração do capital próprio investido (custo total), considerando se o valor fosse aplicado na caderneta de poupança com rendimento de 6% ao ano. “Quando foi considerado apenas os custos variáveis, alguns lugares ficaram com as contas zeradas ou um saldo positivo muito pequeno. Quando se coloca a depreciação e a remuneração do capital, fica mais negativo ainda.”
Como para o produtor não é fácil mexer em alguns custos, como energia e mão de obra, por exemplo, existem alguns coeficientes que a representante da Faep considera que é possível o avicultor negociar com as integradoras. “São índices que eles podem trazer à discussão, como o número de aves alojadas, intervalo entre os lotes e o número de lotes por ano. Quando o projeto é aprovado, existem algumas premissas que são respeitadas para garantir a viabilidade (econômica do trabalho). Elas precisam ser respeitadas. Existem lugares (por exemplo) no Paraná que a prevalência de salmonela é altíssima, de 20% a 40%, e para diminuir a pressão de infecção diminui a densidade de alojamento, o que muda todo o planejamento (e resultados).”
Por fim, Assolari relata que apesar do avicultor já ter que se dedicar muito ao manejo das aves, a atenção em cima da gestão é fundamental. “De maneira geral, o produtor não faz o controle rígido de todos os gastos dele, já que a atividade toma muito tempo, com alojamento, pré-abate, ele sempre precisar estar em estado de alerta. Nós como sistema Faep vemos que é preciso investir na capacitação deles, com gestão de custos para que possam fazer isso no dia a dia.”


