Ribeirão Preto - O escambo chegou à Agrishow, principal feira do agronegócio brasileiro, que projetava negociar R$ 2,6 bilhões até ontem, em Ribeirão Preto. Na feira, foi possível comprar, este ano, um avião e fazer o pagamento em soja, café ou milho.
O negócio acontece por meio de uma parceria entre a TAM Aviação Executiva e a C&BI Agro Partners, braço financeiro da Ceagro, empresa de comércio de grãos.
O comprador da aeronave faz um contrato com a C&BI para entregar parte da produção ao final da safra, em valor equivalente ao financiado. O preço da saca é definida com base na cotação do grão no mercado futuro da Bolsa de Chicago (EUA). É possível pagar todo o valor da aeronave por meio desse expediente. O limite fica apenas por conta do crédito aprovado pela C&BI.
O gerente de vendas da TAM, Humberto Vinhais, afirmou que a parceria nasceu da percepção das necessidades dos produtores. "É como se fala de brincadeira: 'Quantas cabeças de gado custa esse avião'. Só que em sacas de soja", disse.
Um Cessna Skyhawk (US$ 380 mil), por exemplo, hoje sairia por aproximadamente 19 mil sacas de soja, o equivalente à metade da safra de um pequeno produtor do Mato Grosso com mil hectares, de acordo com o CEO da Ceagro, Antonio Carlos Gonçalves Junior.
Mas aviões não são os únicos produtos que podem ser comprados com a promessa de entrega futura da safra.
Em abril, a C&BI lançou uma espécie de cartão de crédito que permite a aquisição não apenas de produtos agrícolas e insumos para a produção, mas a realização de todo tipo de gasto, como pagamento de salários e a compra de produtos diversos.
"O cartão foi idealizado para o produtor pagar à vista e liquidar quando ele colher", afirmou Gonçalves Junior.
Por trabalhar negociando grãos, a empresa ganha por aumentar seu volume disponível para comercialização, segundo ele.
Para usar o cartão, o produtor emite uma Cédula de Produto Rural (CPR) em favor da C&BI, instrumento já usado normalmente na negociação futura da safra.

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