Com 12 meses o avestruz está pronto para o abate e entre 18 e 20 meses entra em reprodução
João PatrialPiquetes onde estão as aves foram cercados, mas há espaço para a corrida diária que as aves costumam fazer em seu ambiente naturalA construção de alojamentos protege as aves e é possível fazer um melhor manejo alimentar
Mireilli Baroni
De Santo Antonio da Platina
Especial para a Folha Rural
O pecuarista Nivaldo Gaudêncio, da Fazenda Pau D’Alho, de Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro do Paraná, resolveu diversificar suas atividades, investindo na criação de avestruz. Além de ser uma alternativa de renda a mais na propriedade, que tem a pecuária como atividade principal, a criação de avestruz, segundo o pecuarista, faz parte de um projeto de transformar o lugar em ponto de turismo rural.
Hoje, Gaudêncio mantém oito animais (três machos e cinco fêmeas), que estão com quatro meses, peso em torno de 50 quilos e altura de 1 metro a 1 metro e meio. A criação começou por curiosidade e para ampliar o número de aves que Gaudêncio já possui na fazenda. Lá já existem siriemas, perdizes e capivaras, criadas às margens do Rio das Cinzas, que corta a propriedade.
Para iniciar a criação, o produtor fez um curso com outros criadores do interior de São Paulo. ‘‘A pecuária não está dando retorno desejado. Era necessário procurar outra fonte de renda, e como gosto de animais exóticos, achei que o avestruz supriria minha necessidade de inovar’’, comentou.
Para a criação foi feito um piquete com um bosque e alojamento com iluminação especial, que usa lâmpadas infravermelhas. O alojamento, segundo o engenheiro responsável pelo projeto, Gino de Oliveira Júnior, serve para proteger os animais de seus predadores. No piquete existe espaço suficiente para os animais fazerem suas corridas diárias, já que o avestruz é um animal que costuma correr livre em seu ambiente natural.
A intenção do pecuarista é transformar a propriedade em um local de visitação pública destinado ao turismo rural. Ele pretende construir hotel, pista de pouso para pequenos aviões e loja de conveniência. ‘‘É um investimento a longo prazo’’, diz.
A criação de avestruz pode render também com a venda de carne, penas e couro. Segundo dados da Associação dos Criadores de Avestruz do Brasil (Acab), com 12 meses o avestruz está pronto para o abate e entre 18 e 20 meses começa a se reproduzir.
Do avestruz são usadas também as penas (o Brasil está entre oms maiores importadores), no carnaval, para a confecção de fantasias; na indústria automobilística e na informática, devido a sua característica eletrostática. Há também o comércio para o couro, que chega a ser de 1,3 metro quadrado por animal e é um dos mais refinados para confecção de bolsas, sapatos, jaquetas, cintos, entre outros produtos. A qualidade dos produtos feitos a partir do couro de avestruz equivale a artigos de couro de crocodilo, o mais caro do mundo.
Segundo cálculos da Acab, em 10 anos, o avestruz terá ganho 0,1% do consumo total de carnes do mercado, o que necessitará de uma produção de 10.500 toneladas/ano. Por enquanto, o mercado de avestruz vive da multiplicação do rebanho. Devido à escassez atual do produto no mercado, o quilo da carne do avestruz chega a custar R$75.
O preço de animais no campo também é alto, segundo Gaudêncio. As aves adultas atingem valores de até R$8 mil; os de 20 a 22 meses, saem por R$3.800,00; de 9 a 10 meses, por R$2,2 mil; os de três meses, R$1.350,00 e os filhotes de um dia, custo em torno de R$700,00.
Demanda é grandeO rebanho nacional ainda é pequeno e a demanda é grande, o que, segundo Gaudêncio, justifica os preços das aves. Há no Brasil um rebanho de aproximadamente cinco mil cabeças. Mas o País, de acordo com o criador, tem condições de ser grande fornecedor da ave, em função das características climáticas e as estruturas já prontas para a pecuária, que podem ser usadas na criação do avestruz.
São aves dóceis e extremamente resistentes, afirma Gaudêncio. De fácil adaptação, alimentam-se de qualquer capim, desde a braquiária até napier picado. A expectativa de vida é de até 70 anos e a vida fértil de até 40 anos. Cada fêmea produz em média 100 ovos por ano, dos quais até 40 são fecundados. Cada ovo pesa em torno de 1,2 quilo a 1,8 quilo (peso equivalente a 20 ovos de galinha).
A ave produz de 35 a 45 quilos de carne vermelha, que tem sabor comparado ao de filé mignon, mas com baixos índices de colesterol, gordura e calorias. O animal adulto chega a pesar 100 quilos, ter 2,5 metro de altura. O macho possui a coloração preta e a fêmea uma cor acizentada.

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