Avestruz! - Pronto para o consumo
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de fevereiro de 2004
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
O abate de quatro avestruzes esta semana em Londrina pode fazer da cidade o primeiro centro de comercialização de carnes da ave no Estado. O trabalho feito pela Cooperativa Nipo Brasileira de Produtores de Avestruzes (Coontruz), em parceria com a empresa paulista Avestro, teve caráter experimental. O presidente da Coontruz, Nelson Sakuma, disse que não há no Paraná nenhum estabelecimento credenciado para o serviço. ''Estamos aprendendo as técnicas de cortes comerciais para implantarmos o serviço'', explicou.
A criação de uma central de abates de avestruzes na cidade, de acordo com Sakuma, tem o apoio da Associação dos Criadores de Avestruzes do Paraná (Acap) e da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O abate foi realizado em um frigorífico de Ibiporã, com quem a cooperativa está firmando uma parceria. Ele destacou que o número de aves ainda é pequeno para que se monte uma estrutura própria. ''A terceirização viabiliza a implantação do serviço.''
O abate foi acompanhado pelo veterinário Minori Kuriki, do Serviço de Inspeção Federal (SIF) do escritório do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) de Londrina. Kuriki também se colocou na condição de aprendiz e afirmou não ver problemas no credenciamento do frigorífico para o abate de aves. ''Vemos a necessidade de algumas adaptações no estabelecimento'', destacou. O frigorífico já possui registro no SIF para o abate de suinos e bovinos.
O presidente da Acap, Marcos Barrozo, destacou a crescente demanda da carne de avestruz no mercado nacional, além da perspectiva de atender o mercado externo que já demonstra interesse pelo produto brasileiro. Mesmo assim, o Brasil só conta com um frigorífico específico para o abate da ave, em uma cidade do interior de São Paulo.
O plantel nacional estimado em 90 mil aves, informou Barrozo, ainda é destinado ao aumento do número de cabeças de avestruzes. Ele também não possui números oficiais no Estado, mas presume que a atividade seja praticada por mais de 200 pessoas com um rebanho de 6 mil aves.
O presidente da Coontruz acrescentou que, inicialmente, as aves destinadas ao abate são as consideradas impróprias para a reprodução. A pequena disponibilidade da carne no mercado faz com que o preço seja elevado. No mercado de São Paulo os preços dos cortes de avestruz variam de R$ 45,00 a R$ 65,00 o quilo. A linguiça custa R$ 35,00/kg.
Em 2005, Sakuma prevê que os criadores já terão aves suficientes para engorda. Um casal de avestruzes produz em média 25 a 30 filhotes por ano. O número poderia ser quase dobrado, pois de acordo com o presidente uma fêmea pode por até 60 ovos. Mas o índice de mortalidade de filhotes nos três primeiro meses de vida é elevado. Mesmo com o mercado promissor, Sakuma reclama da falta de pesquisa, projetos e profissionais habilitados para as melhorias que a estrutiocultura exige.
Para este ano a Coontruz anuncia novidades como a implantação de um incubatório regional. O trabalho será supervisionado pela UEL. ''Queremos ser referência na reprodução de ovos e filhotes'', destaca Sakuma. A coopertativa está em conversação com o Departamento de Produção de Alimentos para firmar uma parceria no desenvolvimento de produtos com a carne do avestruz, como embutidos e patês.


