Aves em compasso de espera
2008 foi um dos melhores anos para a avicultura paranaense. O Estado, que já era o maior produtor de aves desde 2000, vai encerrar o ano também como líder nas exportações. Somente nos primeiros dez meses de 2008 foram comercializados no mercado internacional cerca de 850 milhões de quilos de aves, o que rendeu mais de US$ 1,5 bilhão. O Paraná responde por mais de 28% da produção nacional - de 3,2 bilhões de quilos - e concentra 25% do faturamento de todo o setor. No entanto, a crise financeira global, desencadeada em setembro, provocou uma redução nos preços internacionais.
''Não sabemos como será o primeiro trimestre deste ano e, por isso, desde outubro estamos insistindo com os outros Estados para reduzirmos o número de aves alojadas'', diz Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar). O número de cabeças deverá cair cerca de 20%. Segundo ele, normalmente todo primeiro trimestre nunca é muito bom para o setor devido ao período de férias escolares no Brasil (que não há merenda escolar e que leva muitas pessoas a modificar seus hábitos alimentares) e ao clima no Hemisfério Norte (uma vez que muitos portos fecham devido ao frio).
Além disso, com a crise de crédito os importadores estão comprando apenas a quantidade necessária para o abastecimento, evitando a formação de estoques. ''Até agosto o dólar estava baixo, mas os preços no mercado internacional estavam altos. Já a partir de outubro o dólar subiu, mas os preços caíram no mercado externo anulando os ganhos cambiais'', comenta Martins. Ele acrescenta que, inclusive, os preços de alguns cortes mais nobres caíram pela metade, enquanto apenas a cotação do frango inteiro ficou estável.
A partir da redução da oferta (provocada pelo menor alojamento), a avaliação é que aumentará o poder de barganha dos fornecedores. ''Acreditamos que o próximo ano será bom até porque já há sinais de melhora na oferta de crédito'', salienta o presidente da Avipar. Segundo ele, entre janeiro e fevereiro toda a cadeia produtiva deverá se reunir novamente para rediscutir as criações e os alojamentos. Dados da Secretaria de Estado da Agricultura indicam que a Região Oeste concentra 34% da produção estadual. As outras regiões concentram o restante: Sudoeste (24%), Norte (23%), Centro-Sul (13%) e Noroeste (6%).
Segundo o Sindiavipar, a avicultura emprega diretamente 50 mil pessoas e outras 500 mil indiretamente. No total mais de 10 mil famílias são produtores integrados. (F.M.)





