Aveia pode servir de pasto de inverno
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sexta-feira, 25 de maio de 2001
Cláudia Barberato De Londrina 
A falta de chuvas no Norte do Paraná, na melhor época de plantio da aveia para pastoreio, de março a abril, atrasou os plantios deste ano. Mesmo assim teve produtor que arriscou e plantou no seco. Quem plantou teve sorte. As chuvas de maio ajudaram no desenvolvimento da gramínea e os produtores terão mais assegurada a pastagem de inverno dos animais, avaliou o zootecnista do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), da Estação de Ibiporã, no Norte do Estado, José Antônio Cogo Lançanova.
O plantio de aveia, de agora em diante já é um risco, avisa o zootecnista. Segundo ele, pensando em alternativas de cultivo para pastagem de inverno, o pecuarista do Norte não tem muita opção, fora a aveia.
Quem não fez silagem ou feno, terá que comprar produtos volumosos, ou usar ração, o que fica mais caro; ou, ainda, adquirir cana e misturar com uréia, para fornecer ao rebanho como opção de alimento no inverno. Neste período as pastagens muitas vezes não têm nem quantidade nem qualidade para manter os animais. Quando ocorrem geadas, como no ano passado, a pastagem queima e o gado fica sem alimento.
Risco no Norte Segundo o zootecnista do Iapar, como não dá para prever se vai chover bem daqui para frente, o cultivo da aveia a partir de maio-junho seria um risco.
A aveia plantada agora só poderia ser usada daqui 40-45 dias, em final de junho e início de julho, pico do inverno. Se não chover bem daqui para frente a lavoura, poderá não ter bom desenvolvimento e o período de utilização para pastoreio será menor,comenta Lançanova. Se não tiver outras fontes de alimento, o produtor terá que reduzir a lotação de animais no pasto e comprar suplementos para fornecer ao rebanho.
Na Região Centro-Sul do Estado, onde o inverno é mais definido, ainda dá tempo de arriscar o plantio. Lançanova aconselha que os produtores usem a aveia preta Iapar 61, que pode render até 30 dias a mais de pastagem que a aveia preta comum. Tem também uma produção de matéria seca maior e qualidade superior em relação a aveia preta comum.
Ainda dá tempo Segundo dados do agrônomo do Deral em Ponta Grossa, José Roberto Tosato, a região tem a maior área de aveia para pastoreio do Paraná. São 230 mil hectares.
Para o gado leiteiro os pecuaristas separam as áreas em piquetes e fazem o rodízio com os animais. Isso evita pisoteio da área e faz com que exista sempre aveia no ponto para ser consumida. Os produtores de gado de corte criam extensivamente os animais e alguns preferem fazer dois cortes e fornecer no cocho.
A região tem ainda 20 mil hectares de pasto onde a aveia é consorciada com o azevém. A vantagem é que o azevém produz um pouco mais tarde, possibilitando um período maior de utilização da área. Há também uma área de 15 mil hectares de azevém. Nem toda área plantada de aveia é usada como pastagem. Muitos produtores fazem o feno que é vendido para várias regiões do País onde existe problema de comida no inverno.
Na região de Ponta Grossa a aveia entra como rotação, depois da soja. Os produtores da região tem usado o pasto de aveia até agosto-setembro e em cima da palhada fazem o plantio do feijão em parte das áreas e depois, em outubro-novembro plantam a soja. Além dos 230 mil hectares de pastagem, há uma área de 32 mil hectares para produção de grãos.
Mais grãos Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento (Seab), este ano, em função da estiagem, houve atraso em todas as regiões do Estado que cultivam a aveia preta e a aveia branca, tanto para pastagem como para produção de grãos. Segundo o técnico do Deral, Gilberto Bello, o Paraná tem área total de 900 mil hectares de cultivo de aveia. Hoje 70% está plantada.
Para a produção de grãos, a estimativa da Seab é fechar uma área de 122.579 mil hectares de aveia preta e 36.095 mil hectares de aveia branca na safra 00/01. Os números são 1,83% maiores para a aveia branca e 1,83% para a aveia preta.
O técnico acredita ainda que este ano os produtores poderão ampliar as áreas de plantio destinadas a pastoreio dos animais em função do susto do ano passado, quando as geadas queimaram as pastagens perenes e não havia alternativas para alimentar o rebanho no inverno. A aveia, além do pastoreio, pode ser cortada e fornecida no cocho ou mesmo transformada em feno ou silagem, para alimentar os animais.
Além servir como pasto para os animais, o que sobrar poderá ser transformado em feno e o restante incorporado ao solo como adubo para milho ou soja que virão a seguir.
Prevenção não faz mal O pecuarista que não quer passar dificuldades para alimentar seus animais no inverno tem que preparar, no início do ano, um estoque de silagem de milho, por exemplo, suficiente para um período de três a quatro meses.
O plantio da aveia para pastoreio ou fenação também é indicado como prevenção caso ocorram geadas que queimem as pastagens perenes e o pecuarista tenha que fornecer mais silagem do que havia programado.
Para pastoreio a aveia pode ser usada cerca de 45/50 dias após o plantio. O recomendado é fazer um rodízio com os animais; o gado pode ficar numa média de duas horas por dia na mesma área. No caso da fenação, é preciso um período maior para uso de cerca de 100 a 120 dias depois do plantio. O produtor pode separar áreas para pastoreio e reservar outras, para a produção de feno, que será usado mais tarde.
Produtores de corte ou de leite que não se prepararam com reservas alimentares para o rebanho no inverno terão que reduzir o rebanho. Outra alternativa é comprar mais ração, o que fica mais caro; ou buscar, perto das propriedades alternativas de alimentos como cana, cevada, entre outros.
Para o gado de corte pode-se fornecer bagaço de laranja, um pouco de concentrado, rolão de milho, farelo de soja. O criador deve fazer o cálculo de quanto de alimento ele tem e se isso é suficiente para o número de animais da propriedade.


