A aveia preta como opção de alimento suplementar para o rebanho de gado leiteiro foi a opção encontrada pelo pecuarista Robson Guizilini, de Cambé (13 km a Oeste de Londrina) para manter a produção durante o inverno. Orientado por técnicos da Emater, o pecuarista dividiu o pasto em piquetes e em dois deles introduziu a aveia. ''A resposta na produção do leite é imediata. As vacas tiveram um aumento na produção de quatro litros por cabeça'', comemora.
As 39 vacas do rebanho que estão em período de lactação, informa Guizilini, são levadas após a ordenha para os piquetes com aveia. Lá elas ficam em pastoreio por duas horas. Depois os animais são levados de volta ao pasto onde recebem mais um auxílio alimentar de cocho, com silagem de milho e cana-de-açúcar picada. ''Essa quantidade de alimento é suficiente para a nutrição diária das vacas'', explica.
Para o especialista em pastagens, o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), José Pedro Garcia Sá, que atualmente presta serviço como voluntário, as folhas da aveia têm alta concentração de proteínas. Essa característica nutricional da planta é que garante a melhoria na produção leiteira.
A técnica, segundo ele, não é nova a pesquisa já ultrapassa 15 anos mas ainda encontra alguma resistência por parte de pecuaristas que preferem opções herdadas da pecurária européia como as silagens e rações. ''Eficientes mas de custo bem mais elevado'', comenta Sá. Além da proteína as folhas da aveia são de fácil digestibilidade.
O baixo custo da suplementação do rebanho com a aveia, segundo o pesquisador, torna o seu uso uma ''estratégia barata para propriedade familiar''. Outra vantagem do produto sobre as silagens, citada pelo pesquisador, está na facilidade de tratamento, pois evita a necessidade de transporte do alimento até os cochos. Sá destaca ainda a oportunidade de pastejo dos animais que contribui contra o estresse dos bovinos. ''O produtor não precisa ser 'garçon' de vaca'', brinca ele.
Mais que o aumento imediato na produção de leite, Guizilini afirma que o uso da aveia permitiu que continuasse na atividade. Ele se revela ''apaixonado'' pela pecuária leiteira e estava desanimado com a baixa remuneração da atividade, aliado ao custo de outras formas de suplementação. O custo dos piquetes com aveia, de acordo com o produtor, foram baixos, pois bastou uma adubação a base de uréia e as sementes.
Cada piquete tem tamanho médio de um hectare. O primeiro deles já foi pastoreado pelas vacas e garantiu a alimentação de três semanas. O outro campo de aveia começou a receber os animais no início desta semana. ''Se der uma chuvinha a aveia brota e tenho suplemento volumoso para mais alguns dias'', diz Guizilini.

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