Aveia garante o pasto
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sexta-feira, 10 de outubro de 2003
Vânia Moreira<br> Equipe da Folha 
Umuarama - O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) deve lançar ainda este ano uma variedade de aveia preta de ciclo ainda mais longo que a Iapar 61. A nova cultivar permitirá o pastejo até as primeiras semanas de outubro, quando as pastagens já estão recuperadas do inverno. A Iapar 61, cujo ciclo produtivo se estende até o final de setembro, já caiu no gosto dos pecuaristas, principalmente os da região do arenito que estão fazendo integração lavoura-pecuária.
Segundo o pesquisador Elir de Oliveira, a forrageira é ideal para a integração por oferecer alimentação de alto poder nutritivo para o gado no inverno e a formação de palhada para plantio direto no verão. Na aveia, o gado pode engordar até um quilo por dia, garante Oliveira. A nova variedade está sendo pesquisada em Umuarama e Palotina.
A área cultivada com aveia no Paraná este ano cresceu quase 17% graças as variedades de ciclo longo. Segundo Otimar Hubner, do Departamento de Economia Rural (Deral), as plantações aumentaram de 126 mil hectares em 2002 para 147 mil este ano. Faltou semente de Iapar 61. Somente a Cocamar, de Maringá, vendeu cerca de 600 toneladas da cultivar de ciclo longo. Teríamos vendido mil t se tivéssemos, informou o agrônomo Antônio Sacoman.
Segundo Oliveira, quem plantou aveia não teve dificuldade para alimentar o gado neste inverno. O frio atrasado, em agosto e setembro, favoreceu os rebrotes depois do pastejo justamente no período em que há maior escassez de pastos. A aveia precisa de temperaturas abaixo de 16 graus e umidade para ter um bom perfilhamento, desenvolvimento vegetativo e pronto rebrote depois do pastejo.
Outra vantagem é que seu florescimento tardio (cerca de 134 dias após a germinação) permite o retorno de investimentos como a adubação hidrogenada de cobertura. Para o engenheiro agrônomo da Cocamar em Umuarama, Paulo Coelho, a vantagem da aveia de ciclo longo é que ela permite até 3 rebrotes para pastagem e ainda sobra palhada para plantio direto de grãos.
Ciclo longo - O pecuarista Osvaldo Turquino Júnior, de São João do Caiuá, no Noroeste, adotou a aveia de ciclo longo e aprovou. Ele administra a Fazenda Maria do Céu que pertence aos irmãos José e Antônio Pratti. Metade da propriedade de 572 alqueires está em processo de reforma de pastagens através da integração com lavouras. Este ano plantamos aveia comum e de ciclo longo. A comum já acabou, mas a Iapar 61 está viçosa e ainda permite mais uns 15 dias de pastejo. Antes do último rebrote, ele deixou o gado raspar a aveia (O Iapar recomenda a retirada quando a planta chega a 10 centímetros). Achei que havia esgotado as plantas, mas elas brotaram novamente com força total.
Nos 22 alqueires de aveia, Turquino mantém entre 500 a 600 cabeças, a maioria garrotes, que pastam apenas durante o dia. À noite, voltam para as pastagens de tanzânia. A quantidade de massa ingerida durante o dia é mais que suficiente. Deixar o gado pastando também à noite seria desperdiçar aveia, explica. O rebanho de Turquino ganha entre 800 a 850 kg/dia. Os animais de engorda ficam na aveia até atingir 350 kg em média. Depois passam para o confinamento até atingir o ponto de abate, 500 quilos no máximo.
Como cria 2.100 cabeças (das quais 1.180 são vacas) Turquino também produz cana, nabo forrageiro e sorgo para silagem. Duzentos e trinta hectares da fazenda Maria do Céu estão sendo reformados através da integração lavoura pecuária. Neste inverno, Turquino plantou aveia, nabo forrageiro, sorgo e triticale. Para o verão, vai plantar 80 alqueires de soja e 94 alqueires de mandioca. Dividiu a área antes cultivada só com soja porque o preço da mandioca está muito bom.


