Aveia ganha espaços na pastagem
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de agosto de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
A área de plantio de aveia tem crescido paulatinamente no Paraná, já ocupando aproximadamente 600 mil hectares, inclusive em solos arenosos como os da região Noroeste do Estado. Uma das principais razões do aumento da área, segundo os técnicos, é a falta de outras opções de alimentação para o gado para o período de inverno.
No entanto, por mérito próprio, a aveia é excelente alternativa, principalmente por servir como forrageira, tanto para gado de corte como para o gado leiteiro. Além disso, ela tem a função de melhorar as condições físico-químicas do solo e controlar plantas daninhas.
Por estes e outros motivos, o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) desenvolve projeto de recuperação de pastagens e integração lavoura-pecuária no Noroeste, incentivando o uso da aveia. O pesquisador Elir de Oliveira, da Estação Experimental do Iapar em Palotina (Oeste do Estado), relata que os resultados têm sido observados de forma permanente.
Ganho de pesoNo inverno passado, em trabalhos conduzidos pelo Iapar em Paranavaí (Noroeste), foi constatado ganho de peso com o uso da aveia para a alimentação dos rebanhos, de até 1,1 kg/animal/dia. Isto foi observado entre animais pastoreando exclusivamente aveia preta de ciclo longo (a Iapar 61) e branca de ciclo longo (a Iapar 96101-B).
Na avaliação da qualidade alimentar (bromatologia) das aveias em Paranavaí, os dois materiais apresentavam respectivamente 19% e 23% de proteína bruta. Em Ibiporã (Norte), o Iapar constatou que, pastoreando exclusivamente os mesmos materiais, o gado leiteiro produziu de 14 a 16 litros de leite diários, enquanto em outros pastos ele apenas mantém ou até mesmo perde peso.
Nos ensaios de avaliação de aveia forrageira houve produção de até 8,5 toneladas de matéria seca por hectare. Estes dados são de extrema importância para a pecuária regional, comenta Elir de Oliveira, acrescentando que, porém, a extensa pesquisa em aveia só vagarosamente é transformada em ações concretas pelos produtores de sementes, cooperativas, assistência técnica, e adotada pelos produtores.
O pesquisador cita o caso da própria aveia preta de ciclo longo do Iapar, que há 8 anos produz a semente básica em quantidade razoável 60 toneladas ao ano , mas ainda assim muitos técnicos e produtores paranaenses não conhecem o material. Apesar disto, é cada vez maior sua área no Rio Grande do Sul e está indo bem nos Estados Unidos.
InimigoElir de Oliveira observa que a ferrugem é o principal inimigo da aveia; por isso a pesquisa tem que ser dinâmica. Como surgem constantemente novas raças do fungo da ferrugem, há caso de materiais produtivos que desaparecem em anos seguintes sem que a maioria dos técnicos e plantadores de aveia conheçam e sejam beneficiados com a adoção do material.
Segundo o pesquisador, a situação seria alterada se a instituição responsável pelo lançamento da variedade colocasse à disposição dos produtores de sementes razoável quantidade de sementes básicas. A seguir, a própria assistência técnica e os produtores teriam acesso às sementes dos novos materiais que, normalmente, são mostrados em dias-de-campo e outros eventos agropecuários.
A Folha Rural mostrou em fevereiro a importância da aveia e, principalmente, dos materiais de ciclo longo. Hoje, a aveia preta comum que foi semeada em abril já se encontra no estádio de pleno florescimento, indo para o final do ciclo. Os materiauis de ciclo longo vão iniciar o florescimento apenas na segunda quinzena de agosto.
Do ponto de vista forrageiro são situações importantes, frisa Elir de Oliveira, pois em período de escassez de alimento para os rebanhos, como agora, teremos uma aveia de ciclo longo com 16% a 18% de proteína, sendo que na fase de pós-florescimento do material o teor despenca para até menos de 7%.
Outra vantagem é que, neste momento, um material de ciclo longo que está sendo pastoreado (que ainda não floresceu) responde à uma adubação nitrogenada que pode ser na base de dois sacos de uréia por hectare, segundo indica o pesquisador.
Trabalhos conduzidos na Estação Experimental de Palotina durante 3 anos mostram que, quando toda a aveia é retirada para feno, sem ocorrência de rebrote posterior, a produção de soja da safra seguinte tem uma redução de grãos de 10% a 14% em comparação com a área onde toda a planta permaneceu no solo.
Por isso, mais uma vez, em áreas de produção de feno, o pesquisador recomenda optar por materiais de ciclo longo, trabalhar com boa adubação e cortar a planta para feno a 7 centímetros do solo, na fase de embuchamento (antes da emissão da panícula). Essas práticas permitem a produção de feno de melhor qualidade e um rebrote que dê cerca de 2,5 a três toneladas de matéria seca por hectare para o plantio direto da soja.
TratamentoElir de Oliveira comenta que a confecção de feno de aveia em pleno florescimento resulta em baixa qualidade alimentar e sanitária, mas que podem ser melhoradas. Há várias opções de tratamento de forragens, mas uma de baixo custo e à mão do produtor é com uréia, principalmente agora que a secagem do material para 15% de umidade a campo é muito difícil.
O pesquisador explica que o tratamento do feno recém-enfardado é feito com uréia a 5% do peso do feno, ou seja, para cada 1.000 quilos, 50 quilos de uréia, que deve ser dissolvida na proporção de 1 quilo para cada 3 litros de água. Conforme o feno vai sendo empilhado, sobre uma lona ou piso firme, deve ser aspergida a solução de uréia sobre os fardos em cada fileira.
A seguir, o feno deve ser coberto com lona plástica, com os lados bem vedados, permanecendo hermeticamente fechado por cerca de 30 dias, para que a amônia formada não escape pelas laterais, piso ou furos na lona.
O tratamento do feno com uréia permite um aumento no teor de proteína bruta de 7% para 17%, aumento da digestibilidade em cerca de 2 a 4 pontos percentuais, evitando ainda o desenvolvimento de microorganismos indesejáveis, como fungos que causam mofo, leveduras, Aspergilus e Penicilium, que além de prejudicar o valor alimentar do feno, afetam a saúde dos animais.
O especialista relata que o mesmo tratamento de aveia com uréia pode ser feito para fenação do trigo perdido em função das geadas. No caso de silagem de milho safrinha (também afetado pelas geadas), mesmo não tendo uma quantidade adequada de grãos, é possível melhorar sua qualidade como volumoso ensilado.
Elir diz que é possível a maioria das lavouras dar silagens com 4% a 5% de proteína bruta no máximo e, com o frio, é difícil que atinjam o teor desejável 35% de matéria seca, para produzir uma fermentação adequada no silo. Neste caso, também pode ser usada uréia, na base de 1% do material a ser ensilado.
A colocação da uréia na proporção de 1 quilo para cada 100 quilos de milho (picado) deve ser feita simultaneamente a lanço enquanto o material a ser ensilado está sendo despejado e compactado no silo. Esta prática simples impede o desenvolvimento de microorganismos indesejáveis, como leveduras, mofos e clostrídeos, melhorando a qualidade do volumoso e aumentando os teores de proteína bruta, que seriam de 4% a 5%, para 7% a 8%.
Em agosto e setembro, o Iapar realizará dias-de-campo em Palotina, Umuarama e Paranavaí sobre manejo, produção de feno, silagem de grão de aveia, adubação e opções de forrageiras de inverno. Informações podem ser obtidas pelo fone (operadora) - 044 - 649-5614 ou e-mail [email protected].


