Nas regiões Norte e Oeste do Paraná a produção de milho safrinha tem sido a principal opção como cultura econômica após a soja. Entretanto, a grande dificuldade que os produtores têm enfrentado é o intenso desenvolvimento de plantas daninhas que ocorre após a colheita do milho safrinha até a semeadura da soja. Uma das soluções para resolver este problema e dar sustentabilidade ao sistema de plantio direto é a sobressemeadura de aveia.
De acordo com o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Elir de Oliveira, esse sistema de sobressemeadura de aveia é o mais simples para o agricultor adotar, tem um custo operacional menor e no momento da colheita do milho que ocorre em julho e agosto, a aveia já estará toda formada, controlando as plantas daninhas e permitindo a cobertura do solo para a semeadura da soja.
SustentabilidadePara o pesquisador esse sistema de cobertura do solo permite uma agricultura de maior precisão, sustentável e mais competitiva. Elir de Oliveira diz que nas propriedades com integração lavoura e pecuária, a aveia pós-milho safrinha servirá também como fonte de alimento para o gado.
Elir explica que procurando soluções menos dispendiosas, muitos produtores têm optado por interromper o sistema de plantio direto, retornando ao uso de grades pesadas visando o controle de plantas daninhas, com o objetivo de adequar o solo para a semeadura da soja. ‘‘A interrupção do sistema de plantio direto para o controle de plantas daninhas é uma prática que surge efeito apenas imediato’’, observa.
O pesquisador do Iapar acrescenta que o uso de grades pesadas estimula a decomposição e perda da matéria orgânica do solo, além de eliminar a palhada tão essencial para a economia da água e do solo. ‘‘Esse processo antigo provoca a interrupção do processo de estruturação física e biológica do solo que o sistema de plantio direto vai construindo com o tempo’’, ressalta.
Elir de Oliveira afirma que desde 1995 tem desenvolvido trabalhos procurando opções que viabilizem a introdução de plantas de entressafra com potencial forrageiro e de cobertura do solo após a colheita do milho safrinha. Ele diz que as espécies de verão, como cultivares de milheto e sorgo, apresentam bom desempenho nas condições do Cerrado Brasileiro após a cultura da soja.
Porém, no Paraná o desempenho destas espécies de verão esbarra na instabilidade de produção porque são plantas que necessitam de fatores interligados para se desenvolverem. Alguns desses fatores são a alta temperatura, umidade na fase inicial e fotoperíodo diário com mais de 12 horas de luz. ‘‘Estes três fatores climáticos nem sempres são simultaneamente favoráveis todos os anos no período que desejamos cobrir o solo’’, justifica o pesquisador.
Em relação à utilização do sorgo, apesar de apresentar maior quantidade e estabilidade de produção de massa para a cobertura do solo após o milho safrinha, Elir de Oliveira afirma que as pesquisas mostram uma redução na produção de soja, comparada com a semeada sobre milheto. O pesquisador defende que o sorgo deve ser usado exclusivamente para a produção de grãos e forragens e não para cobertura de solo antes da semeadura da soja.
ResultadosEm trabalhos experimentais conduzidos no Iapar - Estação Experimental de Palotina (96 Km ao norte de Cascavel), a aveia Iapar 61 produziu cerca de 6 toneladas por hectare de matéria seca amostrada 15 dias após a colheita do milho safrinha. Visando melhorar o sistema, o instituto agronômico estará lançando em breve uma espécie de aveia branca de ciclo longo, que permite melhor controle de plantas daninhas.
Elir de Oliveira aconselha os produtores a planejarem suas propriedades dividindo-a em vários talhões. Uma parte pode ser ocupada com trigo ou aveia como forrageira de inverno, outra parte com uma mistura de aveia e raízes pivotantes para a recuperação do solo. Em uma terceira parte, ocupada por milho safrinha, entrará a aveia sobressemeadura com baixo custo para controlar a ação de plantas daninhas.

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