Os avanços de outras culturas com base nas melhorias criadas para a soja podem ser representados pela indústria de carnes, que dependem de ração feita de soja e milho para engordar os rebanhos. O próprio avanço do milho, que diminuiu a área plantada na primeira safra por perder espaço para a soja e ganhou na segunda, com a rotação de cultura, é parte dessa história. Mudanças que ocorreram não apenas devido a melhorias genéticas ou transgênicas, parte talvez mais reconhecida da tecnologia, mas pelo manejo de solo, o tratamento fitossanitário e o plantio direto, entre outros, conforme a Embrapa Soja.
O chefe-geral da Embrapa Soja, José Renato Bouças Farias, conta que o primeiro grande avanço foi mesmo genética, devido à necessidade de adaptar a soja, que originalmente precisa de menor exposição à luz solar para se desenvolver, para zonas tropicais, mais quentes e com maior período de luminosidade. Na década seguinte, foi a vez dos melhoramentos fitossanitários, para que a planta resistisse ou tolerasse doenças e pragas. "Porque, enquanto não existe a cultura, não há quase problema fitossanitário. Quando começa, surgem doenças de todos os tipos, problemas com lagartas, e é preciso encontrar soluções", diz.
Nos anos 1990, foi a vez dos resultados surgirem do manejo e conservação do solo e do plantio direto, considerados por ele como o momento da grande virada do agronegócio no Brasil. "A partir de 2000 começamos a ter sistemas de produção integrados, rotação de cultura, sucessão entre soja e milho, integração lavoura e pecuária", explica. "Mas cada vez que um desses processos surgem, novos desafios aparecem nas áreas de genética, fitossanitária, de manejo, e precisamos resolvê-los", completa. (F.G.)

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