Avanço em qualidade e renda
O secretário da Agricultura, Antonio Leonel Poloni, faz um balanço e traça planos para o futuro
Conquistamos importantes avanços na área de sanidade animal e vegetal, diz Poloni
Elvira Fantin
Especial para Folha Rural
O ano de 1999 foi de avanço no setor agropecuário paranaense. A avaliação é do secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Antonio Leonel Poloni, que faz um balanço positivo do ano que se encerra. Ele destaca como pontos positivos a grande integração entre o governo e a iniciativa privada; o avanço no trabalho de sanidade agropecuária; a melhoria da qualidade de vida dos agricultores mais carentes do Estado e o processo de transformação da produção primária, com agregação de valor representando mais renda para o produtor rural. Nesta entrevista, Poloni fala em detalhes dos resultados alcançados este ano e dos planos e perspectivas para o ano 2000.
Folha Rural - Qual o balanço que o senhor faz do ano de 1999 na agricultura do Paraná?
Antonio Poloni - O balanço certamente é positivo. Conquistamos importantes avanços na área de sanidade animal e vegetal, concluindo a sorologia da febre aftosa que deve garantir ao Estado a declaração de área livre da doença. Com o programa Paraná 12 Meses, conseguimos levar qualidade de vida com moradia digna e saneamento para as famílias mais carentes do meio rural e ao mesmo tempo o programa desenvolveu atividades de geração de renda e modernização da pequena propriedade. Através do programa Fábrica do Agricultor estamos desmistificando a legislação de implantação de pequenas agroindústrias. Queremos criar a cultura da agroindustrialização no Paraná e provar que uma pequena unidade agroindustrial também pode ser viável.
FR - O que falta para o Paraná ser declarado área livre da febre aftosa?
AP - De nossa parte já fizemos tudo o que era preciso ser feito. O Estado se modernizou neste setor, investimos em equipamentos e infra-estrutura para garantir a imunização do rebanho. Tivemos um apoio decisivo das entidades do setor que se mobilizaram e assumiram este trabalho ao nosso lado. O pecuarista do Paraná atendeu o nosso apelo e vacinou o gado. Agora, com a conclusão da sorologia, falta apenas a declaração do Ministério da Agricultura e o reconhecimento internacional pela Organização Internacional de Epizzotias (OIE).
FR - O Governo do Estado acaba de autorizar a aplicação de mais R$20 milhões através do programa Paraná 12 Meses. De que forma estes recursos serão aplicados e o que isto vai representar para a agricultura do Paraná?
AP - Os recursos serão aplicados de forma descentralizada, através da definição dos conselhos municipais do Paraná 12 Meses, que são os legítimos representantes das comunidades rurais beneficiadas. Os R$20 milhões deverão ser aplicados até março. Ainda este ano, estaremos repassando R$3 milhões. Estes recursos representarão um avanço muito grande para a pequena propriedade. O dinheiro será aplicado na melhoria da qualidade de vida do pequeno agricultor com a construção e reforma de moradias, obras de saneamento, projetos de modernização da propriedade e geração de renda.
FR - Por que o Paraná 12 Meses é considerado o maior programa de combate à pobreza e geração de renda no campo já desenvolvido na América Latina ?
AP - Porque são R$637 milhões aplicados em cinco anos. É um volume muito grande de recursos. O programa é muito amplo e envolve ações de desenvolvimento social, econômico e ambiental. Em pouco mais de um ano de execução já investimos R$110 milhões beneficiando 30 mil famílias. Até o final do projeto, em 2002, serão atendidas 255 mil famílias.
FR - Este ano, o governo do Estado lançou o programa Fábrica do Agricultor. Em que consiste este programa?
AP - É um programa destinado à expansão da agroindustrialização e agregação de valor da produção do Paraná. Até hoje, o Paraná se destacou por ser um grande produtor de grãos. Agora, é preciso começar a transformar esta produção para que agricultor tenha condições de ter mais renda. Nenhum pequeno agricultor vai conseguir sobreviver, apenas produzindo grãos. Ele não alcançará produção em escala e a única forma de se viabilizar daqui para frente é buscando alternativas que possam agregar valor, como a fruticultura, a olericultura, a suinocultura, a pecuária de corte e leite, entre outras.
FR - Onde entra a Fábrica do Agricultor neste processo?
AP - Entra exatamente no estímulo à transformação da produção primária, através de quatro formas basicamente: acesso à técnologia, capacitação do agricultor, acesso ao crédito e acesso a canais de comercialização. O programa Fábrica do Agricultor não vai espalhar fábricas pelo Estado, mas vai viabilizar iniciativas agroindustriais existentes, garantindo a certificação da unidade e do produto. O governador Jaime Lerner determinou agilidade neste processo. Até pouco tempo, o agricultor que queria registrar sua pequena agroindústria levava meses ou até anos para obter as licenças ambientais e sanitárias. Agora, o governador determinou que este prazo seja reduzido para 10 dias. É isto o que cabe ao Estado fazer: garantir acesso fácil e rápido aos instrumentos legais para que o agricultor possa viabilizar o seu empreendimento sem, obviamente, prejudicar a qualidade.
FR - Quais são os principais desafios da Secretaria da Agricultura para o ano 2000?
AP - Consolidar o trabalho que já estamos desenvolvendo. Além disso, podemos destacar como um importante desafio o desenvolvimento da cadeia produtiva do leite. Estamos desenvolvendo um trabalho de profissionalização do produtor de leite porque entendemos que só com capacitação ele terá condições de ser produtivo. O leite é uma prioridade no nosso trabalho porque é uma das poucas atividades que garante renda mensal ao produtor. Agora, com a chegada de importantes indústrias deste setor, como a Schreiber e a Lacta, o mercado do produto está aquecido, mas o Paraná precisa aumentar em 30% a sua produção. Para isso, precisamos investir no pecuarista e já estamos trabalhando nesta linha, com o desenvolvimento de cursos com recursos do programa Paraná 12 Meses em convênio com cooperativas e com o Centro de Treinamento de Pecuarista e Colégio Olegário Macedo, ambos em Castro.
FR - E a profissionalização do agricultor, como está sendo tratada?
AP - Este é outro grande desafio. Queremos que o agricultor tenha a oportunidade de ser um profissional da agricultura e que desta forma possa ficar no campo por opção e lá possa viver e trabalhar com dignidade. Estamos investindo recursos na qualificação profissional e certamente teremos que avançar muito neste setor no próximo ano. Temos as Escolas do Campo que este ano ganharam destaque especial no concurso de Gestão Pública e Cidadania da Fundação Getúlio Vargas. São 40 escolas no Paraná que aplicam a pedagogia da alternância, baseadas no modelo francês. Os alunos alternam aulas teóricas com a aplicação práticas nas propriedades de seus pais. O projeto é uma parceria da Associação das Casas Familiares Rurais do Paraná (Arcafar) e do Governo do Estado.
FR - A safra do Paraná pode ser prejudicada pelo mau tempo?
AP - Infelizmente, este ano as nossas lavouras com uma estiagem que provocou prejuízos especificamente no café e feijão. Com relação às demais lavouras, nossos técnicos ainda estão fazendo uma avaliação mais detalhada.
FR - O que fazer diante desta realidade?
AP - Infelizmente não há muito o que fazer em relação às condições climáticas, mas isto vem mais uma vez provar que o nosso agricultor precisa buscar opções de cultivo e, principalmente transformação da produção para agregar valor e não ficar tão dependente de grandes lavouras que são excessivamente suscetíveis às adversidades climáticas.





