Avanço depende de parceria entre pecuarista e agricultor

Uma das principais dificuldades para a implantação do plantio direto da mandioca, na região Noroeste do Paraná, é a forma como são feitos os contratos de arrendamento de terras, que dificulta o planejamento do trabalho. O mais comum é que pecuaristas cedam a área a mandiocultores pelo prazo de dois anos, mas que permaneçam com o gado na área até o último momento antes da entrega, para o consumo da pastagem. Os pesquisadores afirmam que, assim, há pouco tempo hábil para a correção do solo, o que leva à baixa nutrição para a produção da raiz e também para o replantio de capim, na sequência.
A solução é a conscientização de todos os envolvidos na agropecuária da região, para que trabalhem em parceria. "Grande parte dessa área usada para a mandioca no Noroeste é de arrendamento, mas é degradada e o agricultor tem uma janela pequena de arrendamento que dificulta o ajuste ao plantio direto", diz o pesquisador Mario Takahashi, do Iapar.
O pesquisador Marco Antônio Rangel, da Embrapa Mandioca e Fruticultura, afirma que os proprietários precisam ser envolvidos no debate. "O pecuarista não está melhorando o solo dele. Talvez por desconhecimento, ele ache que só a rotação com a mandioca resolve, mas não recebe uma terra boa porque foi degradada pela erosão. Depois do arrendamento, nem o agricultor quer arrendar de novo."
Rangel conta que a qualidade da pastagem até melhora no primeiro ano após o plantio de mandioca, mas decai muito do segundo em diante. Assim, acredita que é possível até promover uma campanha governamental para conscientizar ambos sobre a necessidade de o agricultor assumir a terra com antecedência de até 60 dias para a data de plantar a maniva.
Até mesmo representantes da indústria defendem o plantio direto. Diretor da Atimop (Associação Técnica das Indústrias de Mandioca do Paraná), Sigmar Herpich afirma que o sistema é usado na região Noroeste há 12 anos. "Estamos fazendo experimentos e defendendo o uso do plantio direto, mas temos dificuldade porque nem todos os produtores têm equipamentos adequados, principalmente a plantadeira", diz.
Algumas indústrias de maquinário adotaram parte das adaptações necessárias. O diretor comercial da Planti Center, Vinícius Dalla Rosa, conta que o processo começou há oito anos, mas que ainda há necessidade de implantação à parte de acessórios. A diferença de preço para o equipamento para o trabalho convencional não passa de 20%. "Fizemos por demanda do mercado e de pesquisadores, porque é mais fácil vir para a gente e encomendar algo para desenvolvermos", afirma. Ele completa que o agricultor precisa se atentar para a necessidade de um trator mais potente, porque as mudanças implicam em maior carga.
Rangel conta que a Embrapa também prepara uma máquina de plantio direto de alta qualidade, que afasta mais a palhada e permite que o solo receba um pouco mais de calor. Aliado à nova variedade de mandioca desenvolvida, ele diz que não vê contraindicação para o sistema. "Os produtores líderes que trabalham conosco estão satisfeitos e os resultados futuros devem ser superiores aos tradicionais, seja em conservação do solo, em redução de custos ou em produtividade."
Herpich acredita que os donos das terras prefeririam arrendar para quem promove a prática mais sustentável. "O próprio agricultor se preocupa em não agredir o solo, porque ver a terra ir embora não dá um sentimento bom em ninguém", cita o representante da Atimop, que engloba 11 unidades fabris que recebem a raiz de 2,2 mil agricultores. (F.G.)





