Avaliação dos Ecossitemas 2
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de março de 2001
Cristina Côrtes De Londrina 
O relatório sobre o impacto da exploração agrícola e percuária no meio ambiente, elaborado pelo Instituto Mundial de Pesquisas e Instituto Internacional de Políticas Alimentares, divulgado na semanada passada, afirma
que os atuais sistemas de avaliação econômica falham ao não levarem em conta os valores dos serviços ambientais de longo, e ao ignorarem o valor monetário desses serviços para os usuários ou fornecedores.
Eles mencionam como exemplos os altos custos do tratamento de água resultante da poluição agrícola e os subsídios ou o fornecimento subsidiado de água para os diversos sistemas de irrigação. O estudo propõe a criação de novos mecanismos institucionais para desenvolver mercados efetivos para os bens e serviços ambientais.
Uma maior eficiência no uso da água poderia ser estimulada pela criação de mercados de água. O desafio político, observam os autores, é convencer produtores e consumidores a aceitar tais políticas que inevitavelmente acabariam encarecendo o produto.
Eles afirmam que há bastante evidência de que os consumidores estão dispostos a pagar por melhorias ambientais e maior garantia da procedência dos alimentos, especialmente nas regiões mais ricas do mundo. Mas lembram que nos países em desenvolvimento, onde há expressivas parcelas de pessoas com poucos recursos, que não poderiam arcar com esses aumentos, e onde os quadros regulatórios são menos eficientes, a questão poderia ser resolvida por meio de maiores investimentos do setor público na tecnologia e na infra-estrutura.
A área cultivada e os pastos cobrem 28% da superfície terrestre, segundo dados do relatório. Globalmente, 31% das áreas exploradas estão ocupadas por plantios e os 69% restantes por pastagens. A cultura de produtos de ciclo anual ocupa em torno de 1,38 bilhão de hectares, enquanto as culturas perenes ocupam 131 milhões de hectares e crescem quase 2% ao ano. As áreas de pastagens crescem 0,3% ao ano. As áreas irrigadas ocupam 5,4% das terras exploradas. As áreas irrigadas se expandem a 1,6% ao ano. O estudo sugere o uso de dados de satélite de resolução mais alta para acompanhar com maior eficiência as áreas cultivadas.
Das 7 mil espécies exploradas pela agricultura, só 120 são importantes no território nacional. Cerca de 90% do consumo de calorias no mundo vêm de apenas 30 culturas. O número de raças de gado diminuiu nos últimos cem anos, enquanto o número de plantas adaptadas para o plantio intensivo cresceu.
Um importante indicador do uso de insumos é o volume de aplicação de fertilizantes inorgânicos (minerais). Em muitos agroecossistemas, nutrientes extraídos das plantações e das pastagens são reforçados, em intensidades diferentes, pela aplicação de fertilizantes inorgânicos contendo nitrogênio, fósforo e potássio. O fertilizante aplicado em excesso pode causar a perda dos nutrientes e posteriores problemas de poluição do solo ou das águas. As consequências mais comumente observadas desse tipo de poluição é a eutrofização dos corpos de água e os danos às diversas formas de vida aquática causados pelo surgimento de algas.
O consumo global de fertilizantes situa-se em torno de 128 milhões de toneladas por ano (dado de 1997) e tem caído, de modo geral, desde 1989, embora a expansão na produção de cereais entre 1995 e 1997 tenha revertido essa tendência de queda ao menos temporariamente. Calcula-se que 55% dos fertilizantes são aplicados nas culturas de cereais, 12% no plantio de oleaginosas, 11% nas pastagens e capins, 6% nas raízes e tubérculos e 5% nas frutas e vegetais.
Calcula-se também que aproximadamente mil pragas agrícolas (incluindo ervas daninhas) adquiriram imunidade aos pesticidas. Só nos Estados Unidos há 394 insetos não atingidos por esses produtos.
Apesar de o volume aplicado e a toxicidade dos pesticidas terem aumentado dez vezes nos Estados Unidos entre 1940 e 1990, a proporção de cultivos eliminados pelas pestes aumentou de 30% para 37% no período. Pesquisas indicam que muitos fazendeiros preferem aplicar doses de pesticidas acima das prescritas pelos fabricantes, para evitar o risco de perdas, já que o custo desse insumo é relativamente pequeno no custo total da produção. Isso causa terríveis impactos ambientais.
O relatório está na internet (http://www.wri.org/wr2000 ou http://www.ifpri.org).


