Cristina Côrtes
De Londrina
A globalização e as novas relações de trabalho estão impondo a necessidade de mais profissionalização e mais competitividade nas diversas áreas de trabalho. Neste novo contexto, abrem-se novas perspectivas para a atuação do profissional de agronomia, que pode oferecer uma assistência técnica personalizada e especializada.
Este é o ponto de vista do pesquisador da área de Difusão de Tecnologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Marcos Valentim Ferreira Martins. Ele
acrescenta que a agronomia já foi a profissão mais socializada no Brasil, quando quase toda a assistência técnica era gratuita, feita pela extensão rural, pela pesquisa ou pelas cooperativas. Hoje, a realidade é diferente. ‘‘Estas instituições não têm mais número suficiente de profissionais para atender às necessidades do produtor, que também são maiores, porque precisa mais produtividade’’, diz Valentim.
MarketingO pesquisador Marcos Valentim fará palestra na Associação dos Engenheiros-Agrônomos de Londrina sobre o tema ‘‘Marketing e Propaganda para o Engenheiro-Agrônomo’’, no dia 22. Segundo Valentim, o agrônomo precisa estar informado dos conceitos de marketing empresarial. ‘‘O cliente hoje, que é o produtor rural, é diferente de há 20 anos atrás, quando aceitava qualquer orientação, porque não tinha outras informações’’, explica Valentim.
Valetim comenta ainda que, com o fim da assistência técnica de graça, surge espaço para o profissional autônomo, acabando com o comodismo dos que em muitos casos eram requisitados apenas para assinar o laudo e viabilizar o crédito rural. ‘‘E este profissional precisa se capacitar para atuar no novo cenário’’, explica.
AutonomiaDuas experiências de atuação independente no mercado de trabalho serão apresentadas também durante a promoção do ciclo de palestras ‘‘O engenheiro-agrônomo no próximo milênio’’, promovido pela AEA-Lda.
Marcos André Collet abordará o tema ‘‘Relação engenheiro-agrônomo x cliente: prestação de serviços e orientação técnica para produtores através de contrato’’. O agrônomo falará da sua experiência na região de Marialva, no Norte do Estado, onde iniciou um trabalho independente há 5 anos. Hoje ele atende 42 clientes, dos quais 95% são produtores de uvas. Os contratos de trabalho são verbais e ele faz em média uma visita a cada 15 dias a cada propriedade.
O agrônomo se especializou em fruticultura para dar uma assistência personalizada. ‘‘Quando o produtor está pagando a assistência técnica, ele exige qualidade e também resultados. Quando somos solicitados, é para resolver problemas difíceis; então é preciso estar preparado’’, comenta.
Collet está satisfeito com o seu trabalho e diz que não atende mais, porque trabalha sozinho, mas que a procura é grande. Ele diz que os novos tempos estão mudando o perfil do profissional de agronomia, e as instituições de ensino precisam atualizar suas orientações. ‘‘O agrônomo, como outros profissionais, é preparado para ser empregado e não para atuar de forma independente. Mas, hoje o mercado exige uma assistência técnica personalizada, independente e confiável.’’
TerceirizaçãoA terceirização da assistência técnica em várias cooperativas também abre um novo mercado. Adélio Eloy Kolhrausch apresentará no dia 22, em Londrina, sua ‘‘Experiência na Região de Tibagi (Grupo Agro 12, Batavo)’’ no Sul do Estado. Adélio conta que há 6 ou 7 anos foi iniciado o processo de terceirização na cooperativa, na qual ele trabalhava. Então foram formados grupos de produtores, e cada grupo contratou um agrônomo.
‘‘Fazemos um acompanhamento durante o ano todo, com elaboração do planejamento das diversas culturas’’, explica. Na região produzem-se soja, milho e feijão, no verão; triticale, aveia preta e branca, no inverno. O grupo que ele atende ocupa uma área de 9.700 hectares.
Adélio observa que nesta nova relação de trabalho existem vantagens para os dois lados. O produtor se beneficia, porque tem uma assitência mais eficiente. ‘‘Antes, quando o produtor chamava o técnico, o problema já estava instalado e o prejuízo também. Hoje podemos planejar e agir com mais rapidez’’, comenta. E como o custo do profissional é dividido entre o grupo, os produtores não ficam onerados. Para o técnico a remuneração compensa. Adélio informa que cobra 7 dólares por hectare/ano.
AgronegócioOutra palestra será ‘‘A Gestão dos Negócios da Agropecuária’’, pelo pesquisador da Embrapa Florestal, Derli Dossa. O pesquisador destacará alguns pontos importantes nesta área: a formação de preços, custos de produção, riscos, questões de mercado. ‘‘Pretendo mostrar os nichos de mercado para atuação do agrônomo e introdução da Informática no gerenciamento das propriedades’’, diz. Segundo Dossa, o produtor precisa estar cada dia mais informado, para reduzir seus riscos.
Todos estes assuntos serão detalhados durante a apresentação das palestras, no dia 22, a partir das 13h, na sede da Associação dos Engenheiros-Agrônomos de Londrina.

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